14/09/10

TERMINUS 149: LONG LIVE THE GOAT!

 Ainda mal acabou a época de incêndios deste ano e já se discutem novas medidas para evitar que o próximo ano seja igual a este. Apesar de alguns pessimistas vaticinarem que será ainda pior, eu sou daqueles que acham que, por fim, estamos no caminho certo. Falou-se muito da falta de limpeza das matas. Parece que foi esse o grande causador dos incêndios florestais. Nomeadamente daqueles que, vistos de cima, formam uma bonita linha recta. É isto que eu gosto nos incêndios naturais: têm uma rectidão que não se encontra nos incêndios premeditados.
Portanto, estamos de acordo que é preciso atacar este flagelo, certo? Muito bem! Desta é que vai ser! Vamos nos juntar aos espanhóis e juntos vamos acabar de vez com estes malditos incêndios! Não vamos olhar a meios!
Em termos práticos em que é que isto consiste? Para começar, fez-se um investimento de 48 milhões de Euros em 150 mil cabras, que serão distribuídas nas zonas raianas dos distritos da Guarda, Bragança, Zamora e Salamanca. Foi esta a ideia maravilha. Self-prevention foi o que lhe chamaram. Devem ter achado que um nome inglês trazia mais credibilidade à coisa.
José Luís Pascoal, presidente do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Duero-Douro, diz que este projecto permitirá a prevenção de incêndios, mas também “o desenvolvimento económico e rural” daquelas zonas. Como? Duma forma tão simples que até me admira ninguém se ter lembrado disto antes.
As cabras serão colocadas nos campos agrícolas e montes abandonados. (Agora vem a parte boa!) Esta foi a forma encontrada para evitar fogos florestais, uma vez que os terrenos ficaram* “livres de vegetação”, concluiu o senhor José. Tenho de fazer uma pausa aqui porque, a sério que não percebo.
48 milhões de Euros gastos em 150 mil cabras para prevenir incêndios. As cabras comem a relvinha e o mato e pronto. Até aqui tudo bem. Só não percebo é que raio de prevenção elas vão fazer em sítios que já arderam?
Talvez eu esteja a perceber mal a ideia, talvez ela tenha sido mal explicada. Parece-me, no entanto, como pessoa citadina com pouco conhecimento do que é viver no campo, que é preciso prevenir incêndios nos locais ainda não ardidos. Parece-me. Caso contrário, a coisa perde um pouco o seu propósito.
É verdade que muitas pessoas irão beneficiar disto. Pastores, produtores de queijo e matadouros. Dá a ideia que isto não é para durar muito tempo. Pensava eu: se eles vão pôr as cabras em zonas ardidas, o que é que elas vão comer? A presença de matadouros na zona diz-me que elas não vão ficar lá muito tempo. Uma tosquiadela, uma recolha de leite e lá vão elas para o matadouro.

*Nada me tira da cabeça que o jornalista que escreveu este artigo transcreveu ao fonema aquilo que o entrevistado disse. Se ele tivesse escrito ficarão, o texto faria mais sentido. Ainda bem que não o fez, senão eu ficaria sem artigo.

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