22/09/10

TERMINUS 155: ATAQUE FRONTAL POR UMA OPOSIÇÃO REALISTA E RESPONSÁVEL

Pedro Passos Coelho começou a atacar em força o Governo. É preciso mudar de Executivo, diz o Pedro. Hum... Espera lá. É impressão minha ou este inchar de peito apareceu só depois de passar o prazo em que o Presidente Cavaco podia dissolver a Assembleia? Pedrito, Pedrito, todo armado em fanfarrão para quê? O tio Cavaco já não pode mandar o menino Zé para o castigo. Se o provocas, tens de te ver com ele e olha que ele não é pêra doce.
Fico contente por saber que já falas em público sem ser às refeições. Não era por nada, mas essa barriguita já começava a ganhar uma certa proeminência. Se queres chegar a Primeiro-Ministro, não basta saber sorrir; a forma física também é muito importante. Atenção a isso.
Sobre as declarações propriamente ditas, Passos Coelho diz que necessário “ultrapassar preconceitos”. Concordo. Desde que isso não obrigue a ir por nenhuma SCUT. Da maneira que isso está, palpita-me que tão cedo não os apanharíamos.
Diz também que é preciso “estabelecer regras para actuar com base nas possibilidades existentes. Ora, até que fim! Até que fim que alguém tem coragem de dizer isto publicamente duma vez por todas! Eu sempre fui um defensor do estabelecimento de regras de actuação e sempre defendi que essas regras deviam ser definidas com base nas possibilidades existentes. O problema é que, quando eu falo, ninguém me ouve. Eu até disse que não seria boa ideia estabelecer regras de actuação com base nas possibilidades não existentes. Pode parecer mais tentador, no sentido em que se pode pôr lá qualquer coisa, porém, obriga-nos a pensar mais. Dessa vez, vá lá, até me deram ouvidos.
A fechar, a declaração da noite. “É a oposição que está a ter o realismo e a responsabilidade que são o papel do Governo.” Faltou o ponto de interrogação. E a resposta é... não, não está. Isso quer dizer que o Governo está a ser realista e responsável. Outra vez o ponto de interrogação. E não, não está.
Portanto, o que é que temos aqui? Dois senhores, dois senhores que blá blá blá muito, mas porrada 'tá quieto. Passos Coelho e Sócrates dançam, trocam injúrias, calúnias, são cão e gato em público. Parecem muito diferentes, mas ambos largam pêlo e comem duma tigela.
Até 1906, 1907 existia o rotativismo parlamentar. Quando o Rei se fartava farto do partido no poder, saia esse e entrava O outro; depois o Rei fartava-se desse e regressava o anterior. Hoje em dia, essa rotação é imposta por sufrágio. O que quero dizer com isto? Que Sócrates e Passos Coelho são duas faces da mesma moeda? Não exactamente. Eu diria mais que são a mesma face; o que está no outro lado, isso sim é a Oposição.

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