26/09/10

TERMINUS 157: UMA QUESTÃO DE (DES)ENTENDIMENTO

Ponto de situação: o país está congelado pelo medo. Os nossos responsáveis líderes políticos bem que nos tentam avisar, mas nós não ligamos aos seus avisos. Após um início auspicioso, em que até dançaram juntos (um deles chegou a ir a Espanha tecer elogios ao seu opositor, o que é uma atitude um pouco estranha, mas que parece bem), Sócrates e Passos Coelho não se entendem quanto ao Orçamento. O PS quer aumentar os impostos, o PSD quer diminuir a despesa, ambos dizem que não aprovarão o Orçamento de Estado se as suas propostas não forem aceites.
No meu tempo, se eu fizesse birra como estes dois estão a fazer, levava uma galheta e ficava o assunto resolvido. "Não quero comer peixe!" dizia eu. E diziam para mim, "Não queres, vais para o quarto sem jantar." Pretendo com isto dizer que o senhor Cavaco devia dar um puxão de orelhas a estes dois garotos? Nada disso. Já são crescidos demais; não ia adiantar nada.
Uma vez que já são crescidos e sendo que não podemos lidar com eles como se crianças fossem, o que se pede a José Sócrates e a Pedro Passos Coelho é uma atitude responsável e que se deixem de merdinhas duma vez por todas. Não ficava mal e o país agradecia.
A consequência, ou uma das consequências, mais imediata da não-aprovação do Orçamento de Estado é a vinda do FMI para Portugal. Sobre isso, muitos líderes, comentadores, ex-titulares de órgãos de soberania, etc., têm dito horrores. "É o fim do mundo!" Cada um defende o seu ponto de vista, não reconhecendo qualquer aspecto válido nos argumentos dos opositores.
Poderá parecer uma atitude pouco alarmista, mas os nossos políticos têm razões para temer a vinda do FMI para Portugal. Ter alguém a gerir as nossas contas públicas de forma responsável, sem meter dinheiro ao bolso (aqui, talvez me engane), seria quase como um choque térmico. A resultar colocaria a nossa classe política numa posição de muita fragilidade, embore eu ache que a principal razão para esta aversão ao FMI é por ser "gente de fora".
Para evitar a vinda do FMI é preciso aprovar o Orçamento e, para isso, é preciso que PS e PSD se entendam. Ora, eu até sou um rapaz novo, mas ainda sou do tempo em que o PS e o PSD se encontravam em lados diferentes do espectro político. Em teoria (friso, em teoria), são partidos opostos. A que ponto chegámos nós em que é preciso dois opositores de ideais opostos colocarem de parte as suas diferenças e chegarem a um entendimento?
Qual atitude responsável, qual quê! Homem que é homem, resolve os seus problemas à pêra! Não é cá com falinhas mansas! "Olha, se não fazes isto eu não aprovo o Orçamento!", "Ai é? E tu se não me deixas fazer isso, eu vou-me embora!" Façam-se homens e andem à porrada. Poderia não resolver nada à mesma, poderíamos continuar num impasse, mas sempre animava um pouco as coisas.

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