28/10/10

TERMINUS 161:ESTRANHO PONTO DE ENCONTRO

Há uns anos a esta parte escrevi um artigo sobre casas de banho públicas, um tema que, ainda hoje, continua a levantar muita celeuma, mas que é sempre giro de discutir. Escrevi então sobre a iluminação automática que encontramos por vezes nestes locais. Dependendo do modo está a ler este artigo – seja em http://protuberancia.blogspot.com, nas edições online do jornal O Rio em www.orio.pt ou do jornal A Voz da Póva em www.vozdapovoa.com ou, ainda, nas páginas do Jornal da Bairrada, d' O Primeiro de Janeiro ou do Jornal do Barreiro – o prezado leitor poderá estar ou não familiarizado com o referido artigo. Pois bem, passados tantos anos é tempo de retornar a esta temática. Antes disso, porém, um pedido de desculpas.
Meu caro Rui, meu caro José, minha cara Oriana, meu Bruno, meu caro Luís, desculpem utilizar este espaço como forma de auto-promoção mas, se não fosse aqui, onde mais seria?
Continuemos. É verdade que, neste momento, parece que há matérias mais pertinentes a discutir do que o assunto que irei abordar neste artigo. O Orçamento de Estado é uma dessas matérias. E quando eu digo “parece” é porque essas matérias, apesar de relevantes em determinado período, são problemas recorrentes. Arma-se um grande alarido durante meia dúzia de meses, levantam-se os braços em jeito de “Ai minha nossa Senhora!” e no fim fica tudo na mesma. Não faltam soluções, não faltam ideias. O tema deste artigo, pelo contrário, é algo que ainda ninguém conseguiu explicar.
Sempre que a necessidade obriga, sou pessoa para utilizar casas de banho públicas. E, ao contrário de muito boa gente, não imponho limites ao que tenho a fazer nesses locais. Há pessoas que só conseguem “ir” (por “ir” entenda-se a chamada “número 2”) em casa, eu consigo em ir qualquer sítio, nem que tenha de fazer o serviço à distância. Restrições apenas se o freguês anterior tiver deixado alguma prenda.
Seria nesta altura que eu sugeriria que deixasse a leitura deste artigo para mais tarde. De preferência para quando não estivesse a comer. Sucede que depois correria o risco de perder um leitor. Sendo assim, mais vale continuarmos.
Nas casas de banho de cafés e restaurantes por este Portugal fora encontra-se com elevada frequência um fenómeno, no mínimo, bizarro. (No máximo, não sei o que possa ser.) Os homens que estão a ler isto vão identificar já a situação.
Nós entramos e temos o habitual mobiliário de casa de banho: o lavatório, a sanita e o urinol (há sítios onde existe também um bidé, mas não vamos por aí); tudo na mesma divisão. O que me faz alguma, para não dizer muita, confusão. Porquê o urinol e a sanita juntos? Que homem no seu perfeito juízo está sentado na sanita e estica-se para abrir a porta a um desconhecido para ele utilizar o urinol? Com um irmão ainda vá. E mesmo assim é estranho.
As casas de banho dos homens não são como as das mulheres. As mulheres podem ir para lá conversar, nós não. Nós vamos, fazemos o que temos a fazer e saímos. Ali não é lugar para confraternizações ou convívios. Homem que puxe conversa nesse local é olhado de lado. E mesmo que não seja, que género de conversa podem ter dois senhores, um sentado numa sanita, o outro de pé a brincar com as bolas de naftalina? A suavidade do papel higiénico? A sua espessura? A cor? A altura em que o urinol se encontra será a mais apropriada a nível de conforto e controlo anti-salpico? Decerto que haveria muita coisa para discutir ali; se ali fosse local de discussão.
Outro problema. Consigo “aceitar” que duas pessoas, nesta situação, conversem uma com a outra se estiverem lado a lado. Todavia, o que acontece muitas vezes, e aí não há hipóteses de diálogo, é a sanita estar de frente para o urinol. Se lado a lado a situação já é constrangedora, falar para o rabo de alguém deve ser algo que poucos estarão dispostos a tentar.
Senhores proprietários, Portugal tem bons carpinteiros, estamos perfeitamente habilitados a colocar uma porta onde for preciso. Compreendo que a vida não está fácil e que uma porta ainda custa algum. Não há problema. Se não quiserem gastar dinheiro a construir um cubículo para isolar a sanita do resto da casa de banho um varão e uma cortina chegam perfeitamente. A situação continuaria a ser algo incómoda para quem estiver na sanita. Quem estiver no urinol pode sempre acreditar que a outra pessoa está a tomar um duche.
Pergunto-me se terá sido com base numa casa de banho destas que surgiu o speed-dating? Quem inventou isso deve ter conhecido a sua alma gémea numa casa de banho pública.

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