09/11/10

TERMINUS 165: DIA DA SURPRESA NACIONAL

Com tanto que se tem falado da compra dos dois submarinos e da utilidade dos mesmos (eu acho que são perfeitos, por exemplo, para uma festa temática subaquática), foi com alguma admiração que constatei que muito pouco ou nenhum interesse foi dado ao Dia da Defesa Nacional. Pois bem, é hora de alguém homenagear tão útil efeméride.
Antes de mais, alguma informação pessoal para vos situar. Eu não fui à Tropa, fui só à Inspecção. Quanto às razões que me mantiveram afastado do Serviço Militar (na altura) Obrigatório, vamos todos acreditar que eles consideraram que o meu potencial não seria totalmente aproveitado naquele contexto.
Quem julga que a minha não-ida à Tropa é sinónimo de inexperiência, engana-se. Experiência neste campo é coisa que não me falta. E não me refiro às horas que passei a jogar Call Of Duty ou outros jogos de guerra (não sou tão idiota a ponto de proferir semelhante afirmação), mas à maratona de filmes de guerra que fiz na véspera do dia de ir à Inspecção. Na altura ainda não sabia o resultado que me esperava e achei que ver o Nascido Para Matar, o Platoon e o Desaparecido Em Combate seria uma boa forma de me preparar psicologicamente para o que poderia vir a ser a minha vida nos próximos tempos.
Sobre o Dia da Defesa Nacional, uma iniciativa lançada pelo mesmo senhor que mandou comprar os dois submarinos, há que se-lhe tirar tirar o chapéu e dizer, “Sim, senhor! Que esplêndida ideia!” Eu concordo em absoluto com as pessoas que dizem que os militares são o espelho duma nação. Não concordo com tudo o que essas pessoas dizem, nem discordo do que as outras dizem, mas sobre a importância dos militares para a imagem do país estou 100% de acordo.
Durante alguns anos, entre a minha não-selecção e esta ideia do Paulinho, vivemos um tempo em que só ia à Tropa quem queria. É verdade que nesses anos poupou-se algum dinheiro na preparação de homens (que algum ministro achou que seria bem gasto em dois submarinos). Por outro lado, as nossas forças armadas estavam ao abandono e isso dava uma má imagem do País.
Sem a cláusula da obrigatoriedade impunha-se uma nova solução. A mais fácil seria repor a dita cláusula; o que não era possível. A solução encontrada revela que temos políticos bastante engenhosos. Só é pena essa engenhosidade não ser posta ao serviço do País.
O que é que o Paulinho fez? Basicamente, manteve o Serviço Militar Livre, mas criou o Dia da Defesa Nacional. O objectivo deste dia é facultar aos jovens em idade de ir à Tropa a experiência de um dia na vida de um militar. Um pouco como ganhar um fim de semana num hotel de luxo. A diferença é que, neste caso, as coisas não são grátis e aqui está a genialidade da coisa.
A ida à Tropa é livre, mas a comparência ao Dia da Defesa Nacional é obrigatória. Quem faltar à convocatória está sujeito a uma coima que vais dos 249,40€ aos 1247€. Se fizermos as contas, rapidamente concluímos que aqueles que se baldam vão pagar a estadia aos que decidam ficar. A mensagem que isso inspira é inequívoca: estamos todos aqui para ajudarmos quem precisa. Se isso não é bom para imagem dum País, não sei o que possa ser.

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