19/11/10

TERMINUS 170: QUERO MAIS DESEMPREGO

As políticas do Governo em relação ao desemprego não me agradam. Parecem-me claramente insuficientes para fazer face à presente conjuntura. Não pretendo aqui elaborar quaisquer argumentos e/ou teorias que possam solucionar este problema. Além de não ser isso que as pessoas esperam de mim, não estou propriamente interessado em ver o problema resolvido.

Passo a explicar.

Quando eu digo que não me agrada a política do Governo em relação ao desemprego, não é no sentido da taxa de desemprego estar muito elevada, e sim no sentido de não estar elevada o suficiente para nos possamos gabar disso. Não adianta acreditarmos que vamos conseguir acabar com o desemprego e arranjar trabalho para toda a gente. Enquanto ainda acreditávamos no Pai Natal e na Fada dos Dentes, podia ser que sim; agora não que já somos crescidinhos. Já é altura de nos comportarmos como tal.

Tentamos camuflar as nossas falhas, manipular os números até que estes representem apenas aquilo que nós pretendemos e não aquilo que, de facto, representam. Em Portugal não somos capazes nem do oito, nem do oitenta, andamos lá pelo meio. A nossa taxa de desemprego não é a mais elevada da Europa. Não é a mais elevada da Zona Euro. Porra! Não é sequer a mais elevada da Península Ibérica!

Isto é desmotivador. Nós merecíamos mais e melhor empenho da parte de quem nos governa. Merecíamos estar no top. À luz das políticas aplicadas por sucessivos Governos, está visto que o objectivo é aumentar o desemprego. Apliquem-se! É assim tão difícil facilitar o despedimento? Não creio.

No Brasil existe um clube de futebol que tem orgulho de ser o pior clube de futebol do mundo. E eu acho que é isso que nós precisamos para melhorar a nossa auto-estima. Podem dizer que isso deixa as pessoas tristes e deprimidas. Óptimo. Ainda bem. Nós precisamos de pessoas tristes e deprimidas. Principalmente se souberem cantar fado. Sempre ajudaria a aumentar as nossas exportações.

Tem-se falado muito dos trabalhadores da Groundforce. Trezentos e tal trabalhadores em risco de despedimento é muito pouco. Trezentos mil seria um número mais aceitável. No entanto, continuaria aquém das nossas capacidades e daquilo que é desejável. Falam dos que podem ir para o olho da rua, mas estão-se nas tintas para aqueles que vão continuar a ter de acordar cedo para ir trabalhar.

O que eu vou dizer agora vai deixar muita gente chocada. Paciência. Não se pode falar destes assuntos de forma eufemística. Cá vai. As pessoas que trabalham só têm hipótese de andar o dia inteiro de pijama ao fim-de-semana. Os desempregados podem andar o dia todo. Até podem vir à rua assim se quiserem. Estar desempregado é uma alegria, deixa as pessoas bem-dispostas e com tempo para tanta coisa. Cortar os pulsos, tomar banho com uma torradeira, dormir a sesta numa linha férrea. Enfim, o tipo de coisa que uma pessoa faz quando não tem nada para fazer.

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