27/11/10

TERMINUS 177: CAMARATE! AGAIN?

 Gosto muito dos sinais que anunciam a chegada da época natalícia. Para algumas pessoas são as luzes e as músicas de Natal; para outras são os anúncios a brinquedos; para outras o Harry Potter. Para mim, os meses de Novembro e Dezembro são sinal de... Camarate.
Camarate está para a vida política portuguesa como um acidente de viação está para os curiosos que vêm na faixa contrária. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu, mas todos param para ver. Porém, há uma diferença clara entre Camarate e um acidente de viação. No acidente de viação, quando se descobre quem é o culpado, leva-se a pessoa a julgamento, condena-se a pessoa e fica o caso rsolvido. No caso Camarate, o culpado pode até assumir-se publicamente, mas a investigação continua como se ninguém tivesse dito nada.
Há dois anos atrás, se não me falha a memória, houve um senhor que se assumiu como autor material do atentado que vitimou Sá Carneiro e Amaro da Costa. Fê-lo, não para aliviar a sua consciência pesada, mas porque o crime já tinha prescrito.
Durante décadas não faltaram teorias para explicar o que teria acontecido ao certo; assim como não devem ter faltado “culpados” que se entregaram às autoridades em busca de alguma fama. José Esteves, aka “Sou Zé”, é um caso diferente. Não sei que provas apresentou, se é que as apresentou, para sustentar as suas declarações de culpabilidade. Uma vez que é vidente, é possível que tenha previsto a melhor altura para se anunciar como culpado sem que lhe acontecesse nada. Ou então os investigadores querem concorrer ao Guiness Book of Records com o maior enrolanço de sempre.
Escrevo este texto no dia 27 de Novembro, dois dias antes do lançamento do novo livro de Freitas do Amaral sobre Camarate, intitulado Camarate – Um Caso ainda em Aberto. O foco deste livro vai ser o Irangate, o caso de tráfico de armas entre Estados Unidos e os participantes na guerra Irão-Iraque. Por outras palavras, tudo serve para vender.
Seja o senhor bruxo culpado ou não, o que é que isso interessa se o caso já prescreveu? Mesmo que se prove, sem sombra de dúvida, que pessoas ligadas ao Governo conspiraram para matar o Primeiro-Ministro e o Ministro da Defesa de modo a proteger o seu negócio, o que é que isso interessa? Alguém acredita que sejamos capazes de ir pedir satisfações aos Estados Unidos e ao Irão? Estamos a falar de países com capacidade nuclear, países capazes de nos obliterar por completo. Pode parecer tentador para alguns de vocês, mas para mim não. Estou bem assim.
Este país não vai para a frente a empatar desta maneira. É altura de um novo atentado. Senhores políticos, continuem assim. Vontade de pôr uma bombinha em São Bento não falta a muita gente. E se começarem a insistir muito em atirar as culpas para cima dos nativos da terra do senhor Ahmadinejad, é quase certo que alguém vai receber uma encomenda de Teerão. E não vão ser biscoitos.

Sem comentários: