28/11/10

TERMINUS 178: DISSE E DESDISSE

É impressionante como nos centros financeiros se acompanha e sabe o que se passa em Portugal”, afirmou o ministro das Finanças, no Parlamento, antes da aprovação do Orçamento.
A mim o que impressiona é haver alguém capaz de perceber o que se passa cá. A nossa actual situação económico-financeira, em que de manhã precisamos de ajuda e à tarde já somos capazes de ajudar, é algo muito difícil de definir. Parece – não digo que é – um daqueles quadros a três dimensões em que é preciso olhar duma certa perspectiva para ver o avião ou a borboleta ou seja lá qual for a figura oculta. Nós estamos demasiado perto do problema para perceber ao certo qual é o problema, ou mesmo se existe um problema.
Por exemplo, os senhores do Financial Times da Alemanha consideram que Portugal está sob pressão para pedir auxílio ao FMI. Para quem está na economia mais estável da Zona Euro é normal que, olhando para o nosso Portugalito, nos considere necessitados de auxílio. Opinião contrária tem o Governo Português e a Comissão Europeia. (Que é presidida por um português que também já foi chefe de Governo e, como tal, responsável por parte da situação que neste momento não existe.)
Não surpreende ninguém que PS e PSD se tenham unido na aprovação deste Orçamento. A sua não aprovação, mais do que criar uma crise política, seria perigosa porque obrigaria membros dos dois partidos a assumir publicamente que tinham feito asneira. Como responsáveis principais pela actual situação, compreende-se que PS e PSD não queiram atirar pedras aos seus telhados.
Escutámos representantes destes dois partidos afirmarem que era necessária a viabilização deste Orçamento. Dada a presente situação, não havia alternativa viável. Estão por vir reformas estruturais, reformas laborais e outras medidas com vista à melhoria da competitividade. Dizem eles.
O mundo tem os os olhos postos em Portugal e a crise não é nenhum papão, é uma situação bem real. Vamos acreditar que sim. O que me anima é ainda ser possível encontrar sinais de um futuro promissor. Isto confirma-se pela seguinte história:
Era uma vez um senhor que disse “O País está a partir de agora melhor preparado para enfrentar os desafios com que se confronta”. Isto é a parte má da história. A parte boa é que isto foi dito por Teixeira dos Santos, logo, é possível que, no momento em que esteja a ler isto, esta afirmação seja cem por cento verdadeira.

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