01/12/10

TERMINUS 180: DAS REDES SOCIAIS #1

 A moda das redes sociais chegou à classe política. Isto seria uma boa notícia se eu não soubesse o tempo que se perde a ver fotografias de pessoas que não conhecemos, mas que achamos interessantes. E ao dizer “interessantes”, refiro-me a “mulheres de busto considerável na praia ou outros locais”. É uma fase inicial pela qual todos os homens passam antes de começarem a dar um uso mais profissional ao serviço. É certo que nem todos os homens passam por essa fase; há aqueles que têm outras preferências. Tudo bem. E é ainda mais certo que ninguém abandona por completo essas visitas a conteúdos alheios.
Pedro Mota Soares, Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva, Ricardo Rodrigues, José Lello, Luís Menezes, José Junqueiro, e outros políticos, são adeptos das redes sociais, nomeadamente do Facebook e do Twitter. Servem-se delas para aquilo que, em linguagem popular, se convencionou chamar de “picarem-se uns aos outros”.
Não é muito diferente do que faziam antes. A diferença principal está no número de caracteres. E, parecendo que não, é uma grande diferença. Estes senhores são bem pagos. Podem dizer que não são, mas são. Têm muito dinheiro para comprar muitas embalagens de Dr. Bayard para aliviar a garganta ao fim de várias horas de discurso. Porque é o mínimo que se pede. Não vou ao ponto de dizer que gostaria que trabalhassem, mas, pelo menos, que falassem com a boca, e não com os dedos.
Recordo-me da confusão que foi quando instalaram os novos computadores no Parlamento. Parecia uma aula de Introdução às Novas Tecnologias. Havia quem não soubesse que era preciso premir um botão para ligar o computador. Queremos mesmo acreditar que essas pessoas já sabem utilizar o Facebook e o Twitter por si mesmas?
A principal vantagem de utilizar as redes sociais para divulgar mensagens políticas é o semi-anonimato. Cavaco Silva, que pediu contenção no discurso político, poupança nas palavras, assina tweets atrás de tweets. Escrever muito faz calos nos dedos e pode provocar tendinites. Eu sei disso. Mas sei também que é fácil ditar para os outros escreverem. Ou mesmo deixar que escrevam por nós. Afinal de contas, quando o discurso é sempre o mesmo, pouco há a dizer.

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