03/12/10

TERMINUS 181: FLEXIBILIDADE POLÍTICA

Quando eu era pequeno fui praticante de Ginástica. Não se pode dizer que tenha sido atleta, já que estive lá pouco tempo e o jeito não era muito. Mais tarde, nas aulas de Educação Física, tornei a ter contacto com esse desporto. Sempre fiel a mim mesmo, o jeito para a coisa continuava a ser escasso.
Fiz esta pequena viagem ao passado porque, apesar de não ter jeito para a coisa, sei que há limites para aquilo que o nosso corpo pode suportar. Há movimentos e posições que, pura e simplesmente, são autênticos atentados à coluna.
Manuel Alegre, candidato à Presidência da República, é um grande exemplo disso. Apoiado pelo Partido Socialista, partido ao qual pertence, e pelo Bloco de Esquerda, partido ao qual alguns gostariam que pertencesse, Manuel Alegre contorce-se de tal forma que até uma contorcionista tailandesa ficaria impressionada com tamanha flexibilidade.
É certo que qualquer político tem uma flexibilidade fora do vulgar quando comparada à de um ser humano normal. Fazendo referência a um artigo que publiquei há meses, todos os partidos defendiam a redução do número de deputados, desde que essa redução não fosse em relação à sua bancada. Faz parte da vida política dizer uma coisa e fazer o oposto. No caso de Manuel Alegre, a situação é diferente. Manuel Alegre ainda só está na fase de dizer e já está a ser defendido por Governo e Oposição.
Num comício organizado pelo Bloco, Jorge Costa, um dos oradores, proferiu as seguintes declarações:
O ministro Luís Amado diz que o país precisa de uma coligação entre o PS e o PSD, mas o Bloco tem dito sempre que esta coligação já existe, já está em prática e chama-se PEC I, II, III e Orçamento de Estado.”
Até aqui, ataque ao PS e ao PSD. Continuemos.
Esta coligação tem um programa, uma maioria e um presidente.”
Quem será ele?
O presidente é Cavaco Silva, e é quem articula essa política, e apadrinhou o Orçamento de Estado, e é contra esta política, esta maioria parlamentar e este presidente que é preciso erguer uma resposta adequada, e temos uma candidatura alternativa e uma campanha presidencial forte e vencedora em torno de Manuel Alegre.”
Que é militante do PS. Repararam na ginástica? Isto impressiona-me.
No mesmo discurso o candidato Alegre é capaz de defender e atacar ideias dos seus dois apoiantes e nenhum deles lhe retira ou reforça o seu apoio. Como é que consegue?
Será possível que Manuel Alegre não tenha espinha? Não falo em ausência de escrúpulos, falo literalmente em não ter espinha. Que outra explicação pode haver para tamanha flexibilidade? Parece uma cana de bambu. As canas de bambu vergam, mas não quebram. Não quero com isto dizer que Manuel Alegre seja inquebrável, apenas oscilante demais para se perceber se prefere ser apoiado pela Direita ou pela Esquerda.
Aflige-me ver pessoas em esforço, como tal não me vou esforçar mais a pensar nisto. Pelo menos por agora.

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