04/12/10

TERMINUS 182: APROVEITANÇO E MÂNDRIA

 Existe uma diferença entre poupar e mandriar que algumas pessoas teimam em não reconhecer. Uma coisa é poupar, aproveitando o que há para não produzir além do que é necessário; outra coisa é não fazer nada, aproveitando o trabalho dos outros. Há dias tivemos um bonito exemplo disso.
O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, e o seu secretário de Estado, Paulo Campos, repetiram o mesmo discurso na abertura e no fecho do Congresso das Comunicações.
Para o cidadão incauto, parece que este aproveitamento do mesmo discurso na mesma cerimónia é um claro exemplo de mandriice. Entendo que possa pensar assim; no entanto, não é isso que se sucede neste caso.
Após Cavaco Silva, não me recordo se como Presidente, se como candidato, ter dito que era preciso haver poupança nas palavras, seria lógico pensar que haveria quem seguisse essa recomendação. Estando o Governo de tão boas relações com o inquilino de Belém, seria plausível aceitar-se que esses gestos partiriam de membros do executivo socialista. É provável que isso venha a acontecer, mas não por agora.
Na verdade, mais do que um exercício de poupança ou mandriice, a repetição do discurso serviu um propósito totalmente diferente. No meu tempo de escola, no tempo em que os professores tinham como função primária ensinar e não preencher relatórios e pedidos de aquisição de papel higiénico, era prática comum o professor interromper o seu discurso para questionar algum aluno desatento sobre parte da matéria. Sempre que isso acontecia, na maioria dos casos, o aluno ficava atrapalhado e incapacitado de responder à questão. Neste tal Congresso das Comunicações passou-.se quase isso.
A ideia seria colocar questões aos presentes após o discurso de encerramento, para ver quem é que tinha prestado atenção e quem é que tinha andado por ali “na boa vai ela”. Além de separar os participantes atentos dos desatentos, essa iniciativa serviria para esclarecer algumas dúvidas que pudessem haver. Era uma boa ideia. Sem dúvida. Só falhou num aspecto. Após o discurso de encerramento não houve mais Congresso para ninguém porque foi tudo para casa.
Pessoalmente, não me importo que este discurso tenha ficado por esclarecer. As minhas dúvidas interpretativas têm que ver somente com o discurso de justificação apresentado pelo ministério das Obras Públicas.
Partes comuns em relação aos resultados obtidos, à caracterização da agenda digital e objectivos para o futuro. São os números reais e é essa a mensagem do Governo.”
Qual mensagem? Eu não entendi mensagem nenhuma. Na segunda frase ainda vá; agora na primeira... Para mim que não sou político, mas gosto de lhes dar alpista de vez em quando, isto não justifica repetirem o discurso, mas justifica alguém ir fazer terapia da sintaxe.

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