07/12/10

TERMINUS 185: DIÁLOGO COMENTADO

Senhoras e senhores, sejam bem vindos a mais um round para-lamentar que irá opôr o Secretário-Geral do PS e Primeiro-Ministro de Portugal, o senhor Engenheiro José Sócrates ao líder do Bloco de Esquerda, o Dr. Francisco Louçã. Nos comentários estão dois cidadãos anónimos, que assim permanecerão afim de evitar represálias. Inicia o Dr. Louçã.

LOUÇÃ: Sr. Primeiro-Ministro, queria saber se está em condições de me assegurar que nenhum membro do Governo do seu Governo autorizou ou teve conhecimento de qualquer transporte de prisioneiros da CIA por território português para o gulag de Guantánamo.
Cá está. Louçã a começar ao ataque com uma questão que, ao mesmo tempo que visa obter informações delicadas, incide ainda sobre a própria capacidade de José Sócrates responder à questão.
É verdade. Louçã frisou que a sua intenção é aferir de actos realizados em exclusivo pelo Governo liderado por José Sócrates. Vamos ver como reage o Primeiro-Ministro Português.
SÓCRATES: Sr. Deputado Francisco Louçã, respondo, com o maior gosto: nunca nenhum membro deste Governo, nunca este Governo foi informado ou recebeu qualquer espécie de pedido de autorização para sobrevoo do nosso espaço aéreo, ou para aterragem na Base das Lajes, de aviões que se destinassem ao transporte ou à transferência de prisioneiros. Nunca aconteceu neste Governo, nem temos no Ministério dos Negócios Estrangeiros registo que possa indiciar que essa consulta existiu no passado.
José Sócrates a negar conhecimento de qualquer acto de conivência perpetrado pelo seu Governo, ou anteriores mandatários, certamente para não ferir politicamente ninguém do seu ideário político. Continua José Sócrates.
Quero dizer-lhe, Sr. Deputado, que o relatório recentemente divulgado não ajuda à verdade e é profundamente mistificador, porque rejeito e refuto, em absoluto, a acusação infundada que é dirigida ao nosso país de que Portugal ajudou, ou apoiou, alguma transferência de prisioneiros, violando, além de mais, as normas internacionais do direito em que nos baseamos.
A segunda parte da resposta de José Sócrates é inequívoca e não demonstra qualquer receio de “agarrar o boi pelos cornos”, por assim dizer.
Deixa-me só acrescentar este ponto que parece-me ser importante. José Sócrates afirma que, não só o relatório não ajuda à verdade como é “profundamente mistificador”. Foi um bom remate. Vamos ver como reage Francisco Louçã.
LOUÇÃ: Sr. Primeiro-Ministro, concorda, então, comigo que, se algum membro do Governo tivesse faltado aos seus deveres de verdade para com o País (ou qualquer membro da Administração Pública), neste caso, deveria ser demitido.
Francisco Louçã reage com algo que não se percebe se é uma questão concreta ou uma pergunta de retórica.
A mim parece-me ser uma pergunta de retórica; talvez algo sustentado na relação que mantêm no apoio a um candidato presidencial comum. Note-se também o facto de Louçã ter deixado de apontar o dedo somente ao Governo de Sócrates e ter apontado o dedo ao Governo em geral.
Parece ser uma forma subliminar de dizer “Eu nunca fui do Governo, não tenho nada a ver com isso.” Responde agora José Sócrates.
SÓCRATES: Sr. Deputado Francisco Louçã, nenhum membro do Governo faltou à verdade sobre este caso.
Consultei todos os membros do Governo com responsabilidades neste domínio e devo dizer que o Governo português nunca foi consultado sobre essa possibilidade nem nunca autorizou. Posso responder-lhe em nome deste Governo que nunca aconteceu termos sido consultados e termos autorizado. Estes dois actos nunca existiram!
José Sócrates insiste na negação. Com muita veemência, diga-se.
Exacto. Sócrates responde em nome do seu Governo, o que não invalida a responsabilidade de Governos anteriores.
Sim. Por outro lado, só foram consultados os membros do Governo com responsabilidade neste domínio. Nada garante que não tenham sido chamados a intervir pessoas sem responsabilidade, tanto neste, como em qualquer outro domínio. Candidatos não hão-de faltar.
De facto. É a última intervenção de José Sócrates. Vamos ver se tem algum trunfo na manga.
E digo mais: no Ministério dos Negócios Estrangeiros, não há registo algum que nos dê ideia de que tal tivesse acontecido no passado.
A nossa política externa baseia-se no Direito Internacional e fico particularmente ofendido com um relatório que pretende colocar Portugal no centro ou na rota da infâmia. Não aceito isso! E lamento muito que outros Deputados o aceitem ou procurem incentivar esse caminho, porque tal nunca aconteceu!
É incrível como José Sócrates fica sentido quando alguém tenta colocar Portugal no centro ou na rota da infâmia.
Realmente. É caso para dizer. se não houvesse comunicação social haveria muito mais estabilidade.
Sem dúvida. Louçã prepara-se para responder. Vamos escutá-lo.
LOUÇÃ: Sr. Primeiro-Ministro, ficamos, portanto, com todas as boas razões para a constituição de uma comissão de inquérito sobre esta matéria.
Ooooh! Foi um empate. Que pena!
É um resultado triste. Vamos esperar pelo próximo encontro. Pode ser que seja mais interessante.

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