09/12/10

TERMINUS 187: RELIGIÃO #2

Nesta tão bonita época natalícia, não há nada melhor do que, dando continuidade a um tema abordado anteriormente, falar de religião. Eu gosto da ideia génese da religião, que é o “faz de conta”. Enquanto somos crianças acreditamos no Pai Natal, no Coelhinho da Páscoa e outras figuras; até que chegamos a uma certa idade e percebemos que essas figuras não existem. No entanto, em relação a entidades sacras (e aqui não distingo católicos de judeus, nem protestantes, nem de muçulmanos, hindus, o que seja), a crença de que aquela, ou aquelas figuras, existe é inabalável. E isso, por um lado é inspirador, dada a volatilidade dos valores da nossa actual sociedade; porém, por outro, é contraditório.
Fernando Lucas, pára lá de escrever essa carta ao Pai Natal e anda com a mãe à Igreja acender uma velinha à Nossa Senhora dos Desemparados.”
Não dá. Há aqui qualquer coisa que não está a funcionar como era suposto. Eu não estou a pôr em causa que as pessoas acreditem ou deixem de acreditar naquilo que acharem que devem ou não de acreditar. É apenas uma questão de coerência. E se fosse esse o principal problema, ainda as coisas estariam muito bem. O problema é que, desconsiderando esta questão de dizerem às crianças para não acreditarem em figuras imaginárias, quando eles próprios fazem o mesmo, seria bom ver os adultos seguirem os exemplos das figuras que adoram.
Jesus defendia o abandono dos bens materiais. O Papa, seu representante máximo na Terra, anda com um ceptro de ouro, cravado de jóias; veste roupas de seda, com fios de ouro; tem um carro personalizado; tem um Estado próprio. Isto faz tanto sentido como alguém que sofra de obesidade mórbida ser eleito Presidente da Associação Nacional de Pessoas com Anorexia. A máxima “Faz como eu digo, não faças como eu faço” nunca fez tanto sentido.
Apesar de não ser crente, gostava de conhecer Jesus. Não tanto por admiração, lá está, mas para que me pudesse esclarecer uma dúvida que me apoquenta já há algum tempo. A saber: ele fez mesmo o milagre da multiplicação dos pães ou repetiu o milagre de transformar a água em vinho e aquilo que era um pão passou a ser vários? Quem souber, que responda.

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