13/12/10

TERMINUS 190: UMA NOVA AD

Regresso ao tema de Camarate porque continua a haver muito para discutir sobre este tópico. Será que vai haver mais um inquérito? Será que não? Quem matou JR Ewing, perdão, Sá Carneiro? (Peço desculpa, esta história de Camarate já se parece tanto com ficção que, por vezes, esqueço-me que não é.) Não faltam emoções, não faltam colóquios, livros. E apelos.
À direita do PS, militantes históricos do PSD e do CDS apelam a Pedro Passos Coelho e a Paulo Portas por uma nova Aliança Democrática. Imagino como seria se transportássemos esta cena para uma gala de finalistas. De um lado, Passos Coelho, rodeado pelos colegas mais velhos que insistem para ele ir falar com Paulo Portas. Do outro lado do salão, Paulo Portas, é também incentivado pelos seus pares a ir meter conversa com o futuro amigo.
Ambos estão inseguros. Passos Coelho, mais novo que Paulo Portas nestas andanças, ainda não ultrapassou o trauma de perder o seu parceiro de dança. Por seu lado, Paulo Portas já passou por duas tentativas. Se as coisas não correrem bem, teme pela sua integridade emocional.
Aos poucos, ganham coragem e iniciam a caminhada. Encontram-se a meio. Ouve-se uma música romântica. Os seus dedos tocam-se levemente e volta cada um para onde estava. Ainda não estão prontos.
Voltando à realidade, faz ou não sentido uma nova AD? Já respondo.
Esta AD (Aliança Democrática) é constituída pelo PSD (PPD/PSD, se for o Santana a dizer) e pelo CDS-PP. O CDS-PP já foi só PP (Partido Popular); herdou membros da ANP (Acção Nacional Popular), que em tempos tinha sido UN (União Nacional), o único partido que havia durante o período de Estado Novo. Faz-me pensar no tipo de democracia que se pretende instaurar. Por outro lado, não é assim tão diferente de ter o PS de Sócrates no governo, com maioria absoluta.
A diferença, em termos democráticos, do actual para o antigamente, é apenas uma: antigamente, se as coisas estivessem mal, não nos podíamos queixar; hoje podemos. Não que isso adiante muito. Para algumas pessoas, a opção de ter a ilusão de escolha e a possibilidade de se queixar é quanto basta para dizerem que vivemos em democracia.
Uma nova AD faz todo o sentido, portanto. Por dois motivos. Em primeiro lugar, porque ter dois partidos no poder, principalmente se houver desentendimento, leva a que um tente fazer melhor do que o outro. Se a ruptura for iminente, tanto melhor. O ministro da Saúde do CDS aumenta o preço dos medicamentos? O ministro das Finanças do PSD baixa o IVA. Um compensa pelo o outro.
Em segundo lugar, e mais importante, ter uma nova AD pode dar azo a um novo voo e a uma nova queda. O que seria bom. Não digo a nível intrapartidário, mas a nível cinematográfico. O Caso Camarate começa a perder fôlego. Precisamos, com urgência, de um novo atentado. A ficção nacional agradece.

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