14/12/10

TERMINUS 191: A FAVOR DA MINORIA DO PATRONATO

Recebi com grande alegria certas notícias divulgadas recentemente que dão conta de eventuais alterações ao Código do Trabalho. Desta vez, não para favorecer os trabalhadores, mas sim, para facilitar a vida aos patrões que tanto merecem. Para mim era um disparate tanta gente a pedir que se olhe para os mais desfavorecidos e ninguém prestar atenção aos patrões. A não ser o Governo, honra lhe seja feita.
Eu não sou patrão, sou trabalhador. E é por pertencer a essa maioria mais favorecida, e por ser uma “pessoa humana” (como está na moda dizer), que desejo expressar o meu aval a estas alterações que se aproximam.

PRIMEIRA ALTERAÇÃO: FACILIDADE NO DESPEDIMENTO INDIVIDUAL
Ora aí está uma boa medida. Pessoalmente, sempre procurei trabalhar em sectores mais voláteis. Gosto da adrenalina de saber que tenho emprego hoje e amanhã poderei já não o ter. Um emprego seguro para mim não dá. Preciso de excitação na minha vida profissional.

SEGUNDA ALTERAÇÃO: NÃO AUMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO
Mais uma bela ideia. E útil. Para quê querermos mais do que 475 euros mensais? Vamos comprar algum carro topo de gama? Fazer alguma viagem ao estrangeiro? Começar uma segunda família em Espanha? Nada disso. Mas, para um patrão, estas são apenas algumas das opções ao seu dispor. Não sejamos egoístas. Se não temos onde gastar o dinheiro, não vale a pena querer mais.
Se o salário mínimo subir para 500 euros por mês, cada trabalhador passa a receber apenas mais 25 euros; porém, o patrão passa a pagar mais 25 euros por cabeça. Se ele tiver, vamos supor, vinte trabalhadores, são 500 euros a mais; num ano são 6000 euros. É verdade que, para nós, 25 euros ajudam um pouco; mas, para o patrão, 6000 euros já dava para um fim de semana mais ou menos num hotel de luxo.

TERCEIRA ALTERAÇÃO: DIMINUIÇÃO DO CUSTO DO DESPEDIMENTO
Agora vem uma lição de História. Antes de a República ter sido implantada, não havia protecção como há hoje. O trabalhador que se aleije no exercício da sua função está protegido pelo seguro. Antigamente não; quem se aleijava ia para a rua. Portanto, o trabalhador ainda receber alguma indemnização, para mim, continua a ser melhor do que era antes. Isto quase que parece, desculpem que vos diga, birra de criança. Primeiro damos água, depois damos um litro de sumo, de seguida temos de dar uma lata porque já não temos dinheiro para mais garrafas; e começa a choradeira.

QUARTA ALTERAÇÃO: TRABALHAMOS POUCAS HORAS POR SEMANA
Sem comentários.

Enfim. Agrada-me a perspectiva de poder continuar a trabalhar mais por menos dinheiro e ser mais facilmente despedido com uma indemnização menor. Eu sei que custa, todavia é um sacrifício que faço para ajudar essa minoria.

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