24/12/10

TERMINUS 195: CAVACO VIA FACEBOOK

Infelizmente, devido a motivos que não vou agora aqui referir, não me posso orgulhar de ter sido um dos portugueses em encetar num diálogo franco e construtivo com o Presidente Cavaco Silva via Facebook. Gostava de dizer que, no passado dia 20 de Dezembro, fiz vários Like's a expressões como “O Presidente da República é um garante de estabilidade e não se deve imiscuir na vida partidária.” Não posso sequer dizer que esta frase tenha sido escrita porque, não só não participei, como não me dei ao trabalho de ir ver o que lá foi escrito antes de começar a escrever este artigo.
Tenho mais que fazer. E, sinceramente, não sei se fico muito contente por ver a mais alta figura do Estado a utilizar as redes sociais. O cidadão comum sabe, embora possa não o admitir, que o tempo que se perde no Facebook, no Twitter, no MySpace, no Hi5, é tempo que não se trabalha. Há quem, de vez em quando, utilize estes meios como forma de comunicação. Para enviar convites, por exemplo. Todavia, o grosso do tempo gasto nestes locais está no visionamento de vídeos e fotos e jogos virtuais.
Anima-me ter um Presidente da República que não é info-excluído. O problema é se não for esse o caso. Quem garante aos participantes desse debate virtual que a pessoa que respondeu às suas questões foi de facto o Presidente Cavaco? Não digo que não tenha sido ele a iniciar o debate, mas depois, altas horas da noite, vem o João Pestana, o senhor Aníbal começa a bocejar, vem o assessor e toma o lugar. Apesar de não ser o mais correcto, do ponto de vista constitucional, a mim não me choca nem me preocupa este cenário ter acontecido.
A plausível substituição do Presidente Cavaco por um qualquer assessor familiarizado com o discurso em questão pode deixar alguns portugueses incomodados. Não se sintam assim. Afinal de contas, desde que o teor da mensagem seja o mesmo, o que é que interessa se é o Aníbal ou o Justino quem a escreve?
O anonimato é uma realidade numa rede social. Quantos de nós não tiveram já estimulantes conversas com loiras de seios generosos, sem desconfiar que estávamos, na verdade, a conversar com gordos carecas? Por muito que não o queiramos admitir, sabemos que é uma realidade. Mais vezes do que deveria ser.
Tanto quanto sei, as perguntas só podiam estar relacionadas com as eleições presidenciais de 23 de Janeiro ou com o futuro de Portugal. Hum... A limitar assim as opções dos participantes a adesão não deve ter sido muita. A não ser que, além do assessor que ficou a responder às questões em nome do Presidente, tenham ficado outros tantos assessores a formular outras tantas questões, de acordo com um guião previamente aprovado. Cada um no seu quartinho para poder participar no debate, ao mesmo tempo que conversava com a holandesa boazona residente em Cascais. Ou com o anão de Xabregas.

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