10/01/11

TERMINUS 203: PELA ETIQUETA

Um comunicado publicado no site oficial da Direcção Geral de Saúde, dá conta que “a actividade gripal é moderada, mas revela tendência, conforme esperado para esta época do ano”. Ora, muito obrigado meus caros senhores. É disto que eu gosto nos médicos. São capazes de nos dizer que quando vem o friozinho, vem o ranhinho também.
Duas perguntas, não para os médicos, mas para quem me lê, mesmo que não seja médico. A primeira é: a DGS terá uma quantidade assim tão grande de sites de fãs para que seja necessário especificar que este comunicado foi publicado no site oficial? E a segunda: escrever “ranhinho” é fofo ou javardo?
A gripe pode ser muito perigosa, sem dúvida. Principalmente para quem anda à fresca. “A vacinação é o melhor método de prevenção”, diz o mesmo comunicado. Assim à primeira vista, os senhores da DGS fazem lembrar os avós. É possível que alguns deles também o sejam. “Agasalha-te que 'tá frio. Olha que constipas-te.” No entanto, os senhores da DGS, além dos avisos, são também pela regras de etiqueta, nomeadamente pelas regras de etiqueta respiratória.
A minha preferida destas regras é aquela que diz que devemos tossir ou espirrar para um lenço descartável ou para o cotovelo. Pessoalmente, prefiro perder o amor aos 4 cêntimos que custa um lenço de papel do que manchar de muco a manga do casaco. Quando eu era pequeno levava nas orelhas por limpar o ranho à manga. Agora que sou adulto, vêm uns senhores que não conheço de lado dizer que assim é que é.
No caso das senhoras, as consequências são ainda mais nefastas. Pensem num casal à antiga. Não vão de mão dada na rua. Ele dá o braço e ela segura precisamente na zona-alvo. Haverá cenário mais romântico do que sentir na palma da mão o muco de alguém que se ama? Por acaso, esta ideia não me fascina muito, mas isso é porque não pertenço a um casal à antiga. Só por isso.
Outra chamada de atenção que a DGS faz tem a ver com lavar as mãos com frequência. Se no caso desta DGS, esta recomendação tem que ver com questões de germes; no caso da antiga DGS, lavar as mãos era qualquer coisa como declarar-se “inserido no regime”. Ou qualquer coisa assim.
Peço desculpa por este pequeno desvio. Foi pouco ético da minha parte.

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