25/01/11

TERMINUS 209: DE DEDO EM RISTE

Estou a uma década da idade do dedo. Os homens com mais de quarenta anos que me estão a ler, sabem do que eu estou a falar. O famigerado dedo. Durante anos e anos, nós homens vivemos sob o jugo de profissionais de saúde que ditavam o nosso destino através da inserção digital numa área que nós preferíamos que permanecesse inviolável.
Para quem já passou por esta experiência, esta notícia terá um gosto amargo; para aqueles que, como eu, estão ainda a uns anos desse evento, poderá ser uma boa nova.
Um estudo britânico concluiu que homens que tenham o indicador maior que o anelar têm menos probabilidades de vir a sofrer de cancro da próstrata do que os outros. Vou dar uns segundos aos homens que me estão a ler para olharem para as mãos com atenção. Já viram? Não vale dobrar o médio, tem de ser com os dois esticados. E então? Quem estiver safo, ponha o dedo no ar. Não o do meio, o maior.
Isto é para quê? Que uma pessoa contraia uma doença por graça divina ou porque não teve cuidado, por mim tudo bem. Que se safe por ter os dedos trocados parece-me injusto. Quando nascemos, contam-nos os dedos. Agora vão passar a medi-los.
Parabéns, dona Maria. Tem aqui um belo rapazinho. Comece a prepará-lo já, porque daqui a uns aninhos...”
Há aqui algo de errado. A regra é ter o indicador menor do que o anelar. Quem não nasce com os dedos bem é que devia ser castigado para aprender. Mas não. Somos nós, os como deve de ser, que nos temos de vergar.
Que é o que nos incomoda realmente. O cancro em si é chato, é mau, mas é quase um alívio comparado com o exame em si. Estamos no século XXI, senhores! Não há uma máquina que faça esse exame sem que seja necessário um sujeito de luvas de borracha a mexer onde não deve?
Tenho um dedo que adivinha.”
Já chega! Espero que daqui a uns anos, quando for a minha vez, já estejamos evoluídos ao ponto em que só precise de cuspir para dentro de um tubo e pronto. A máquina diz logo tudo.Até lá, temos que nos sujeitar.
Aprecie-se, porém, os esforços que o Governo está a fazer por todos aqueles que irão um dia passar pelo dedo. Para quem não compreendia a relevância de algumas das medidas de austeridade anunciadas, julgo que verão essas dúvidas esclarecidas dentro em breve. Para as mulheres e para os homens que têm os dedos trocados, serão um esforço sem razão aparente. Para nós, candidatos a exame, será uma preparação. De tanto nos vergarmos pelo bem das contas públicas, quando formos ao exame, será com relativa facilidade que baixaremos as calças.

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