06/02/11

TERMINUS 215: QUESTÕES DE SEGURANÇA NOS HIPERMERCADOS

O terrorismo é preocupante. A polícia, regra geral, tem uma série de procedimentos padrão quando encontra sacos abandonados. Sacos e mochilas. Eu, para quem não sabe, costumo andar com uma mochila. Quem me conhece já se habituou a ver-me sempre com uma mochila às costas. Muita gente interroga-se sobre o que é que eu levo na mochila. (Imagino que também se interrogarão porque é que eu escrevi tantas vezes “mochila” num só parágrafo.) Coincidência ou não, essas pessoas desapareceram misteriosamente e foram encontradas mutiladas meses depois.
A razão pela qual eu estou a mencionar a minha mochila é pelas situações insólitas que ela por vezes provoca. Vou-vos dar um exemplo, o mais comum aliás.
Nos hipermercados. Não há uma única vez que eu entre num hipermercado com a mochila às costas e não apareça um segurança todo sorridente
Olhe, faz favor, tem de pôr a mochila num saco.”
Desculpe? Pôr a mochila num saco?
É nestas alturas que eu acredito na teoria da sub-evolução das espécies e que são essas espécies, embora inferiores, que mandam em nós.
Pensei cá para comigo, deve ser alguma medida de segurança para impedir que as pessoas coloquem produtos nos seus sacos ou mochilas. Vendo por esse prisma até fazia sentido.
Mas depois reparei: eles nunca dizem nada às mulheres que entram de mala ao ombro.
Portanto, perdoem a minha ignorância, mas eu não consigo ver a lógica nesta situação.
Vejam bem:
De um lado um tipo como eu com uma mochila como a minha, daquelas de fecho. Sem estar dentro do saco, ou da “protecção plástica” como eles lhe chamam. Do outro, uma mulher com uma bolsa ao ombro, daquelas com fecho de mola que basta um simples gesto para abrir; ou mesmo daquelas sem fecho, só um cordelito a enfeitar.
O gajo da mochila se quiser roubar alguma coisa tem de tirar a mochila, abri-la devagar para o fecho não encravar, colocar o que quer lá dentro, voltar a fechá-la e colocá-la de novo nos ombros. Isto sem que o casal à paisana que anda atrás dele há mais de uma hora dê por isso.
Mas o que eles têm na cabeça? Será que eles pensam que quem anda com mochila passa os dias em casa a cronometrar o tempo que demora a tirar a mochila, abri-la, pôr qualquer coisa lá dentro, fechá-la e pô-la de novo às costas? Será que é isso que pensam?
As mulheres não precisam de nada. Nem de subtileza. Para quê? É só escolher. Os seguranças estão todos a vigiar os tipos com mochila!
(Não sendo este um dos meus melhores artigos, é no entanto o artigo em que eu mais vezes usei o termo “mochila”. Acho que isso deve contar para qualquer coisa. Ainda não sei o quê.)

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