14/03/11

TERMINUS 223: PARTIDO A MEIO

Olá. Bem-dispostos? Eu estou. Sabem porquê? Porque o Santana Lopes admite formar um novo partido. Quem é que fez “yupi”? Calma! Não comecem já com as vossas manifestações de alegria porque ainda não é certo que Santana vá mesmo para a frente com esta ideia. É melhor esperarem um pouco.

O que ele disse foi “"Há tempos que admito e considero que é muito provável que apareçam outras realidades no centro-direita de Portugal. A ver vamos e eu estou num processo de pensamento sobre isso.” Portanto, ele ainda só está a pensar se avança ou não.
Para dizer a verdade, é bem provável que ele avance. O Santana é homem para isso. Lembrem-se que ele já foi Secretário de Estado da Cultura do Governo de Cavaco Silva, Presidente do Sporting, Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Primeiro-Ministro de Portugal, comentador político e Mr. Camisa de Seda Molhada Lux 2001. É, portanto, um homem que não recusa um bom desafio.
Por outro lado, é também provável que a criação deste novo partido fique a meio. O Santana é capaz de definir estatutos, é capaz até de elaborar um programa, mas quando for a altura de ir fazer o registo da patente, o mais certo é ele lembrar-se que tem o leite ao lume e ir-se embora. E é isto que eu gosto no Santana Lopes. Neste aspecto, Santana é um autêntico Seinfeld da política.
Jerry Seinfeld, co-autor dessa mítica sitcom, recusou um balúrdio de dinheiro para fazer uma décima temporada. Apesar do graveto oferecido, ele recusou a oferta, dizendo que, “A melhor altura para parar é esta, enquanto estamos no topo. Continuar até o público se cansar de nós, seria um disparate.”
Muitos políticos levam o seu mandato até ao fim, achando que, ao fazer isso, estão a respeitar a vontade dos cidadãos que os elegeram. Um mandato político devia ser como um filme ou um livro: ao fim de dez minutos ou dez páginas, já sabemos se aquilo tem ou não interesse. No caso de um Governo, a coisa podia-se fazer até aos doze meses. Ao fim de doze meses, se a história não nos interessasse, vinham outros. Ficção por ficção, ao menos que seja uma história interessante.
Santana Lopes é dos poucos políticos que entende não ser o cumprimento mandatário aquilo que os eleitores procuram. Apesar de o poderem escolher para determinado cargo, ele tem a consciência certa de quando deve sair. Pode não sair em grande, mas sai sempre a meio. E esse é um tipo de coerência que eu aprecio.

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