17/03/11

TERMINUS 225: TIPO SALADA RUSSA

Ainda a semana vai a meio e já tivemos manifestações, paralisações e reduções.
Comecemos pela Manifestação da Geração À Rasca. Impressionante do ponto de vista de aglomeração, mas tão relevante como um Rock In Rio. Não descurando a grande adesão que teve, não só junto de jovens mas de pessoas de todas as idades e cores (políticas), ficou um pouco aquém das expectativas. Em Lisboa mostraram que conseguiram encher a Praça do Rossio. E?
Não estive presente na manifestação, apesar de me dizer respeito, não porque não me apetecesse, apenas porque outros assuntos exigiam a minha atenção. Todavia, mesmo que eu e tantos outros que ficaram em casa, mesmo que todos os descontentes e prejudicados e injustiçados tivessem saído à rua e fizessem o que aqueles que foram fizeram, o que teria mudado? Nada. Praticamente nada. Porque aquilo que os manifestantes fizeram, não foi mais do que ir lá. Isso é importante, sem dúvida, é o princípio da coisa, mas só isso não chega.
Vê-se com frequência, em obras de norte a sul do país, um ou dois a trabalhar, outros dois a dar palpites e mais três a ver. Estão lá todos, mas é preciso mais do que estar lá. É preciso que exista alguma acção. Ir do Marquês de Pombal até à Praça do Rossio faço eu e muita gente quase todos os dias. Não sinto, não tenho a pretensão sequer de pensar, que o país vá mudar por causa disso.
O que deveria ter sido feito? Várias coisas. Talvez manifestarem-se num dia de semana. Em dia de plenário na Assembleia. Invadir a Assembleia e pregar um cagaço nos deputados. Tanta coisa. Nenhuma revolução acontece apenas porque as pessoas resolvem sair de casa; isso é algo que fazem todos os dias.
Sobre a paralisação dos camionistas, é a história de sempre. Quem quisesse, podia circular à vontade; só estava sujeito a levar com um tijolo atirado dum viaduto. Coisa pouca. É quase como um mosquito ir contra o vidro dianteiro.
Pararam dois dias por causa do aumento do preço dos combustíveis. Compreensível. Toca a todos. Tanto quanto sei, chegaram a acordo. Óptimo para eles.
Não sei se alguém já fez as contas, mas seria interessante saber quanto é que a Galp, a BP e restantes companhias facturaram antes do início da paralisação. É uma das leis mais eficazes do comércio. Se um produto vende pouco, ou se querem vender mais desse produto, basta anunciarem um aumento do preço ou uma ruptura de stock iminente que as pessoas vão logo a correr gastar o dinheiro que não têm para comprar aquilo que (às vezes não) precisam. Somos criaturas previsíveis e no combustível então... Os camiões cisterna vão parar, os postos de abastecimento vão ficar sem combustível. Pânico! Como se isto fosse durar mais do que dois, três dias! Enfim...
No campo das reduções – e a palavra “campo” não foi usada por acaso – é bom saber que ainda existem prioridades neste Governo. Não sou da cor do senhor engenheiro, mas reconheço um serviço bem feito quando ele existe. Posso ser tendencioso e mal fundamentado, mas sou honesto.
E o que foi que o Governo do engenheiro Sócrates fez que me deixou tão radiante? Nada mais, nada menos, do que reduzir o IVA do golfe de 23% para 6%. Não foi o carro, como mostrou uma reportagem da RTP, foi o, digamos, desporto. E em boa hora o fez. Porque era uma injustiça aquilo que estava a acontecer no mundo do golfe! Isto tem de ser dito! Estamos a falar de pessoas que pouco mais têm na vida do que a prática de golfe. E o golfe que é um desporto tão nobre, tão cheio de significado!
Mentira. É uma actividade parva, nem sequer é desporto, praticada por gente idiota e snob. Golfe é dar uma tacada numa bola, passar meia hora à procura da bala, e dar outra tacada. Pra quê? Encontram a bola, acaba o jogo! Querem acertar no buraco? Ponham a bola mais perto do buraco!  

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