18/03/11

TERMINUS 226: TRANSPORTES #1 - CARRIS

Hoje vou falar de transportes públicos. Pronto! Já sabia. Fala-se em transportes públicos e vocês ficam logo... Eh pá! Comportem-se, por favor.
Meus estimados, antes de começar, e antecipando algum queixume da vossa parte, eu moro na Moita (Margem Sul, yeah!), por isso os únicos transportes públicos dos quais posso falar são os TCB, CP, TST, Metro, Soflusa e Carris. Se não residem em zona afecta a estas empresas, temos pena. Não se pode chegar a todos.
Comecemos pela Carris. Ora cá vai.
As recentes alterações de carreiras de autocarros na Carris levarão, segundo estimativa da empresa, a uma poupança de cerca de três milhões de euros por ano. Numa altura em que se fala tanto de crise é bom saber que ainda existem empresas capazes de facturar. Dizer que é à custa dos utentes pode ser verdade, mas parece-me mesquinho.
Estive a olhar para o novo mapa de carreiras – eu gosto de falar fundamentado – e, ao todo, são cinco carreiras que ficam com percurso reduzido, duas que passam a funcionar apenas durante a semana e seis que desaparecem por completo. Um dado curioso a destacar é a não saída de motoristas. Pergunta: com menos autocarros a fazer menos carreiras em percursos mais curtos, será que os autocarros da Carris vão passar a ter motorista e co-motorista?
O bilhete de bordo, esse, não deve tardar a ser aumentado. Fazer alterações implica tempo para pensar e tempo é dinheiro. Preparem-se. Não julguem que é por reduzir na qualidade do serviço, que os preços vão-se manter como estão. Não se esqueçam da crise. Reparem que Carris só tem uma letra a mais que crise e que apenas o a e o e é que diferem. No grande conjunto contextual, pode não significar nada, mas é um facto que não pode ser ignorado.
Este anúncio foi feito no passado dia 3 deste mês. Dois dias antes, saiu uma outra notícia que dava conta que na Carris as medidas de austeridade não seriam aplicadas. Segundo o Governo, não se podem pagar prémios de desempenho aos funcionários públicos. No caso da Carris, os seus responsáveis entendem que não há qualquer problema em conferir uma remuneração variável àqueles funcionários que “cumprem o conjunto de pressupostos de desempenho excepcional”. O meu azar foi ter tido má nota na cadeira de Chico-Espertice II, senão ainda topava que havia aqui marosca.
Em suma, os funcionários recebem prémios de desempenho, os gestores recebem ainda mais e os utentes, que antes demoravam quarenta minutos no autocarro, passam a demorar apenas quinze: os restantes são feitos a pé. Dizem que o Governo e as empresas só se preocupam com números, que não olham para as pessoas. Eis uma empresa que se preocupa com a saúde dos seus utentes, ao ponto de obrigá-los a fazer saudáveis caminhadas.

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