20/03/11

TERMINUS 227: OS CONTOS DE FADAS


Quando eu era pequeno, os contos de fadas começavam sempre da mesma forma. Era sempre “era uma vez...”, “há muito, muito tempo, num reino muito, muito distante”, etc. Sempre assim. Não tinham originalidade. Só que hoje em dia o que falta por aí são pessoas sem originalidade a venderem bem. Não sei o que vocês acham, mas eu sinto-me muito triste com isto.
Comecemos pelo “Era uma vez...”
Se era uma vez então é porque já foi. O que significa que, mesmo que a história acabe bem, é mais que óbvio que, mais tarde ou mais cedo, acabam por morrer todos. Maus e bons.
Depois temos a outra: “Há muito, muito tempo, num reino muito, muito distante...”
Dizer isto é a mesma coisa que dizer “Nem penses que isto algum dia vai acontecer a alguém como tu”
E isto é apenas o princípio, literalmente falando. Depois vêm as próprias histórias. E os temas. E que temas! Mortes, traições, comida envenenada, maldições, roubo, racismo, exploração de trabalho, até mesmo canibalismo.
Quantas velhinhas, vendedoras de maçãs, é que perderam o seu emprego por causa da história da Branca de Neve? Quantos lobos foram abatidos por caçadores que leram “O Capuchinho Vermelho” na sua infância? “Ai sacana do lobo! Queres comer a menina? Então toma!”
Há tanta coisa, tanto exemplo nos chamados, entre aspas, contos para fazer sonhar. E o pior é quando isto se reflecte na idade adulta e temos assassinos, ladrões, traficantes. Tudo pessoal inspirado nos contos de fadas. Vão atrás dos exemplos que leram quando eram crianças e vão ver o que vos acontece.
“Se fizeres isto és bom.”, dizem eles. Dito isto, qualquer pessoa poderá pensar “Vou fazer isto e vou ser bom.” Pumba! Cadeia.
Se nós analisarmos isto de outro prisma, e lermos para além do que está escrito, o que temos é o seguinte: “Se fizeres isto, sem seres apanhado, és bom. Se não, és uma merda.” Assim faz mais sentido.

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