22/03/11

TERMINUS 228: AUGUINHA

No Centro Hospitalar de Gaia/Espinho a água engarrafada passou a ser substituída por água da torneira, vulgo el cano. A medida está a ser aplicada desde Junho e já significa uma poupança de 12 mil euros. Outras reduções e cortes na despesa, nomeadamente no consumo de papel, no uso das impressoras, na aquisição de jornais e na renegociação de contratos com empresas externas, levaram a uma redução de custos de cerca de 1,33 milhões de euros.
Gostaram da notícia? Agora vem a parte má.
Eu não resido na zona que serve o Centro Hospitalar de Gaia/Espinho, por isso acredito que nem seja um mar de rosas. No entanto, a ideia de poupar recursos é boa e deve ser estimulada, dentro dos limites do bom senso. Eu sempre bebi água da torneira e nunca morri. É verdade que, nos últimos meses, tenho passado por locais cujo água mal inspira o toque com segurança, quanto mais a ingestão.
Seja como for, esta ideia da água parece-me de louvar. É uma ideia que ajuda o bolso e também o ambiente. Em teoria, seria uma ideia capaz de colher aprovação junto dos vários quadrantes da sociedade, certo? Bom, quase todos. Os senhores do Conselho de Administração da Assembleia da República recusaram a proposta de substituir as garrafas de água mineral por jarros com água da torneira.
Porquê?
Em primeiro lugar, por questões de higiene.
Em segundo lugar, por não haver pessoal suficiente para encher, substituir, lavar e secar os jarros individuais.
Em terceiro lugar, por haver contratos assinados com empresas fornecedoras das máquinas dispensadoras de água.
Analisemos cada uma destas razões separadamente.
Questões de higiene? Mas vocês são deputados ou são ratos? 'Tão com medo de contrair o quê? Não sabem que a imunidade parlamentar vos protege de todos os vírus e bactérias conhecidas do homem? Não sejam mariquinhas pá!
Não há pessoal para quê? Para lavar e encher o jarro do menino deputado? O menino deputado quando vai à casa de banho leva alguém para lhe limpar o rabinho ou fica ali com o produto a fazer compostagem? É de admirar como é que as comissões e plenários duram tanto tempo. Alguns devem fazer para dentro; outros nota-se naquilo que dizem.
E por fim, contratos. Existem contratos assinados com empresas fornecedoras das máquinas dispensadoras de água. Mas não estávamos a falar de garrafas de água? De onde apareceram as máquinas dispensadoras de água? Meus lindos, um contrato não é eterno. Seja ele feito com a Luso, com a Penacova ou com a Vitalis.
Reparem no número: 2535. Sabem o que é? Em euros, é quanto a Assembleia da República gasta por mês em garrafas de 33cl, a fazer as contas a 0,65€ a garrafa. Quase 2600€ que gasta à vossa pala. Mas calma! Não estou a dizer para começarem a beber refrigerantes. Não façam isso. Porque esses, além de serem mais caros, fazem pior à vossa saúde e depois quem é que gozava com a nossa cara?
Costuma-se dizer, faz como eu digo, não faças como eu faço. Outra que também se costuma dizer é, nunca digas desta água nunca beberei. Os nossos deputados tendem mais para o segundo ditado.
A minha sugestão para a Assembleia da República é a seguinte: compram uma garrafa por deputado, escrevem  o nome de cada um no rótulo e distribuem-nas. Cada deputado passa  a ter a sua garrafinha e quando acaba, em vez de deitar a garrafa fora e ir comprar outra, vai à casa de banho e enche. Pessoas mais sensíveis estarão com o dedo a tentar conter o vómito, mas paciência. É o tipo de coisa que fazem aqueles que muitas vezes não têm água em casa, à conta das ideias que os deputados têm quando bebem água engarrafada.

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