23/03/11

TERMINUS 229: SEQUELAS & PREQUELAS

Daqui por algumas horas discutir-se-á no Parlamento a votação do PEC 4. Se passar, Sócrates continua; senão, adeusinho, a gente vê-se por aí. Que impacto terá cada um destes possíveis resultados? Para nós, contribuintes permanentes, o que for recusado agora será implantado pelo próximo Governo, seja para não ofender os mercados, seja porque é preciso mostrar a Bruxelas que Portugal está determinado em avançar num esforço concreto. Enfim, tretas.
Mas são tretas que divertem e sem as quais eu não estaria a escrever isto. Reparem, tecer cenários do que poderá acontecer é um exercício puramente especulativo. E eu assumo isso. Não faço como muitos comentadores, analistas e, pior, políticos. A política mexe com a vida das pessoas e não se pode resumir a olhar para números e antecipar cenários e elaborar decisões com base nisso. Os antigos olhavam para as tripas de um porco, hoje olha-se para dados estatísticos falseados e extrapola-se. A futurologia não devia entrar aqui, mas entra.
Tenho muitas questões sobre este PEC 4. A primeira delas é: até que ponto vai continuar a saga? É que isto já parece o Sexta-feira 13 (mas mais assustador): o primeiro foi bom, o segundo aguentou-se, o terceiro... e do quarto em diante foi um descambar. Para bem da saga e das pessoas nela envolvidas, pensem bem no que estão a fazer. A existência do quarto filme da saga Alien é negado por muitos dos fãs. Querem que aconteça o mesmo com o PEC 4? Não querem, pois não?
Uma prequela também não serve. A última grande prequela que houve foi o Star Wars e, que eu saiba, o Governo não tem nenhum Jar Jar Binks para entreter as crianças. Mariano Gago? Não digam isso. O homem está lá no seu cantinho, quase que não se dá por ele. Estão a implicar com ele porquê?
Há quem não considere a saga PEC uma saga de terror, mas sim uma saga de comédia. Não se sintam chocados e ofendidos com a atitude destas pessoas. O PEC pode ser considerado tanto uma saga de comédia, como uma saga de terror. Tudo depende do ponto de vista.
Os mais ricos olham para o PEC como uma comédia, a classe média como um filme de terror, os mais pobres como um filme português dos anos 40, o Governo como um documentário e a oposição como um mau filme de ficção científico. Eu prefiro olhar para o PEC como uma mistura de vários géneros. Porque o PEC É uma comédia e É um filme de terror, só que é também um filme de fantasia e um musical. E esse é o grande problema desta saga. Não só lhe falta um enredo que convença, como também não assume duma vez por todas em que género cinematográfico se insere.
Façam-me um favor. Quando forem lançar o PEC 5. O quê? Ninguém me contou. Fui ao IMDB ver a filmografia do Governo e estava lá em pre-produção. Escutem-me, mudem o nome do filme. PEC não. O pessoal já conhece. Não tentem fazer como o Saw, não conseguem. Assustar conseguem, só que o enredo já não convence ninguém. É apenas violência gratuita e isso é mau cinema. Em vez de PEC, porque não experimentam o IAB?
O IAB, ou, na sua forma extensa, o Ir Ao Bolso, seria uma saga ainda mais assustadora. As situações causadoras de incómodo e pânico seriam as mesmas, embora mais intensas, e o enredo seria mais realista. As pessoas sairiam da sala de cinema, temendo que algo assim lhes pudesse acontecer. E desejariam adormecer e acordar dentro da saga Pesadelo em Elm Street ou Halloween e serem rapidamente trucidados. Uma morte violenta e sangrenta, mas rápida, seria quase uma benesse para quem se sente a morrer devagar dia a dia.

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