04/04/11

OLD STORY: 3x1

Esta é a história de Joel, uma criatura mítica conhecida por todos que é na verdade três pessoas distintas. Joel é composto por três Joeis: um Ruben Joel, um Joel Marco e um terceiro Joel que não tem primeiro ou segundo nome, mas apenas o seu. Embora de origens díspares, todos os três eram vivos e concentravam as suas presenças físicas semanalmente na cidade (daqui em diante designada por “Barreiro”).
Sim, Joel convivia no Barreiro e isso tornava-o uma criatura simplesmente complexa do ponto de vista metafísico de um estrábico zarolho.
A vida, ou as vidas de Joel eram passadas no mais pleno ócio (e isso só era interrompido nos momentos em que decidiam não fazer nada. Apesar disso, unia-os uma forte consciência cívica e uma preocupação genuína pelos assuntos que preocupam o mundo como, por exemplo, a Shakira tem silicone ou não?
Joel, nas suas três variantes, procurava respostas a esse tipo de questões. Um dos Joeis, o sem nome antes ou depois daquele que é o seu, pensava nos tempos vividos em terras nabantinas em que uma tasca servia três tipos de caracóis: os pequenos, os grandes e os grelhados. Outros tempos em que era fácil ser autarca sem ser preciso fugir para o Brasil ou partir um banco de jardim à paulada.
No Barreiro era assim que as coisas se passavam e não havia motivo para mudá-las. Infelizmente, o ritmo boémio em que Joel vivia estava prestes a ser quebrado.
Certa noite, Joel e Joel conversavam com Joel quando sentiram uma estranha presença. Habitualmente essa presença seria considerada como uma manifestação fisiológica do ser até há pouco conhecido por “candidato”, mas que neste momento possui nome de peça de loiça. Porém, não era o caso. Desta vez, essa presença era uma criatura que era a personificação do mal na forma de revista de bordados e macramé.
Determinados a fazer um naperon, os três Joeis dividiram-se para decidir qual o próximo passo a dar. Um, está neste preciso momento a escrever isto; quanto aos outros, não se sabe bem.
A ideia do naperon logo foi abandonada quando Ruben Joel se apercebeu que o ímpeto pelos três sentido não havia sido mais que uma forte influência de um agente externo muito poderoso. Outros chamariam a isso álcool, outros erva, mas quem escreve é quem sabe, portanto, era um agente externo muito poderoso e ponto final.
Contudo, apesar de não existir, a ameaça persistia e era preciso acabar com ela. Joel Marco decidiu invocar entidades superiores cantando a música dos “Patinhos” em versão gospell enquanto batia palmas alegremente. Infelizmente, além de não ter qualquer efeito prático, esse acto só serviu para que Ruben Joel e Joel troçassem veemente das atitudes de Joel Marco.
Ruben Joel, por sua vez, começou a fazer estalinhos com a língua, esperando assim actuar no espectro sonocrómico de modo a atordoar a criatura. Joel, o simples, havia desenhado um belo padrão num bilhete de autocarro usado e estava disposto a fazer uma toalha de mesa.
Foi então que se aperceberam que a ameaça era real. Era uma criatura vil e cruel que os estava a influenciar e não eles próprios. Assim sendo, resolveram concentrar esforços e pensar num plano.
Ora, como o que há mais aí são pessoas à procura de planos para derrotar criaturas vis e cruéis que não existem, vamos manter o plano para nós porque essas pessoas não interessam nem ao menino Jesus.
Instantes depois, Joel, nos seus três formatos, chegava ao Covil onde adquiriram uma garrafa do elixir de que necessitavam para apaziguar a criatura.
Vai buscar um copo!”, disse um Joel.
A criatura obedeceu e Joel aproveitou a oportunidade para fugir.

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