09/04/11

TERMINUS 238: ANTES DAS ELEIÇÕES #2 - QUANTO DEVO AFINAL?

A dívida pública não pára de aumentar. É um crescimento que não se aguenta. Ao todo, a Administração Central já deve mais de 154,6 mil milhões de euros. O que dá à volta de 15 mil euros por português. Woo! Woo! (que onamatopeia mais estúpida esta!, e também a mais apropriada) Nunca imaginei que tivesse tanto dinheiro no bolso! Deixa cá ver quanto é que ainda tenho e...
Ah...! Devo tê-lo gasto todo no meu T-1 (lê-se “menos 1”) e em gomas. Ou será que não? Não me lembro de ter emprestado 15 mil euros a ninguém. Será que assinei alguma coisa que não devia? Vai na volta, fui fiador de alguém sem o saber. Ou então trocaram os números lá na Repartição. Também já tem acontecido.
Eu sei que o acto eleitoral não serve só para escolher os nossos representantes: serve também para dizer “É este que eu quero que gaste o meu dinheiro à parva. A gente depois paga.” Mas não deve ser daí que vem a dívida, espero eu. Porque, parecendo que não, ainda é um númerozinho simpático.
Era giro era saber quem é que abriu esta conta. Se for ainda do tempo da outra senhora, eu não pago. Uma coisa são dívidas contraídas quando eu já era contribuínte, outra coisa são dívidas contraídas quando eu nem sequer era projecto de gente.
A dívida dos Caminhos de Ferro, contraída no século XIX, só foi saldada no início deste milénio. Quanto à dívida actual, as opiniões dividem-se sobre se o FMI deve vir para cá ou não. Eu não tenho nada contra os senhores do FMI virem para cá. Desde que venham como turistas e que sejam tratados assim. Desvio por Queluz, Sintra, Massamá, no trajecto Portela-Ritz; IVA a 157% em todos os produtos que adquiram cá, etc. Tragam cá o FMI todo e levem-nos a conhecer os sítios que dão prejuízo. Façam-nos gastar dinheiro aí. É uma aposta no turismo e pode ser que resolva o problema das contas públicas.
Essa malta do FMI irrita-me. A lata deles a dizerem-nos onde é que podemos gastar o nosso dinheiro. Era a mesma coisa que chamarmos um tio contabilista para gerir o nosso dinheiro. Podemos estar endividados até aos ossos, mas ainda temos o nosso orgulho. E sabemos que as pessoas que nos conduziram a esta situação, com um pouco de amor e compreensão, serão capazes de nos tirar dela. Infelizmente, também sabemos que não vai ser para melhor.
Uma última nota: nunca empreguei tantas vezes o verbo “contraír”. Julgo que seja um sinal dos tempos. Ou então um mero acaso. Tirem as vossas ilações.

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