15/04/11

TERMINUS 240: MEMÓRIAS DE INFÂNCIA #2: FERNANDO NOBRE


Quando eu era pequeno, tinha um casaco que era um dois em um. Não me recordo das cores, lembro-me que podia usá-lo do avesso, ou melhor, não podia, porque ele não tinha avesso. Este meu casaco de infância era das peças de roupa que eu mais apreciava e que estava arredado da minha mente consciente.
Até hoje.
Fernando Nobre, ex-candidato independente (sponsorado por alguns socialistas) à Presidência da República, foi convidado por Pedro Passos Coelho para ser o cabeça de lista por Lisboa e candidato a Presidente da Assembleia da República. O senhor da AMI aceitou o convite e depressa vieram as críticas. Houve até quem o chamasse “vira-casacas”. E foi aí que me lembrei do meu casaco.
Pronto, a parte da memória de infância já está. Vamos à parte actual.
Fernando Nobre aceitou ser candidato pelo PSD. E depois? É preciso enervar o homem ao ponto de ele se sentir obrigado a encerrar a sua página no Facebook? (Será que ninguém o ensinou a apagar comentários?). Na sua anterior candidatura, Fernando Nobre era apoiado por alguns históricos socialistas. É assim tão diferente de ser apoiado pelo PSD? Não me parece.
O que ninguém quer admitir é isto: ao aceitar o convite de Passos Coelho, Nobre demonstrou ter a postura de alguém que não se dá bem apenas com um nicho. Nobre já esteve ao lado dos Monárquicos, do PS, do BE, do PSD. É verdade que ignora muitos dos aspectos dos cargos a que se candidata. É o primeiro candidato a Presidente da Assembleia da República a apresentar um programa; imagino-o no seu primeiro dia de trabalho: “Onde é que eu me sento? E agora, que faço?”
Apesar de tudo isto, ninguém o pode acusar de não ser um candidato de todos os portugueses. Pelo contrário: Nobre não tem o problema de estar associado a um único partido, tem o problema exactamente oposto.
Por isso, não concordo que lhe chamem “vira-casacas”. Eu era um “vira-casacas”, casacos melhor dizendo, porque tinha um casaco que permitia isso. Não creio que Fernando Nobre tenha um desses casacos. Como tal, o termo pejorativo correcto a aplicar a senhor é “troca-casacos”. Perceberam?


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