16/04/11

TERMINUS 241: FUI AO JARDIM DA CELESTE...

 
Esta semana, um agente da PSP foi louvado pelo director nacional da PSP, pelos 18 anos de serviço prestados nas instalações da Direcção Nacional da Polícia, em Lisboa. Esta breve notícia, apresentada na última página do mais popular dos jornais de café, teria passado despercebida, não fosse o insólito dos motivos do louvor.
Perguntam vocês, os que não leram a notícia, por que razão foi condecorado este agente?
Pelo seu elevado zelo profissional, trato com os colegas e sentido de responsabilidade cívica?
Não.
Pelo número de casos que ajudou a encerrar?
Também não.
Pela celeridade com que preenchia os seus relatórios e o grau de objectividade que impunha nos mesmos?
Também não.
Pela sua bonita caligrafia?
Podia ser. Mas não foi.
Foi por algo muito mais bonito e bem cheiroso: flores. Este agente foi louvado pelo director nacional da PSP “pela forma hábil como fazia centros de mesa, usando flores e verduras colhidas nestas mesmas instalações”.
Os colegas souberam que um deles ia ser louvado, só não se sabia quem, e começaram logo a fazer apostas. A cara com que devem ter ficado ao chegar à cerimónia, todos ansiosos por ouvir o seu nome pronunciado, e...
“Então, mas eu farto-me de trabalhar, fico até às tantas a fazer relatórios, a mulher deixou-me, não tiro férias há três anos e o Jardim da Celeste é que é louvado?”
Não está certo.
Não contesto o empenho que este agente dedica aos seus trabalhos mas, do ponto de vista de relações públicas, não me sinto mais seguro por ter uma Polícia de Segurança Pública que distingue agentes por arranjos de flores e centros de mesa, por muito bonitos que sejam.
Outra coisa que me faz confusão nesta história. O agente fazia os seus trabalhos com flores e verduras colhidas naquelas instalações. Desde quando é que a Direcção Nacional da Polícia fica numa horta? Talvez a palavra correcta não fosse “colhidas” e sim “obtidas”. Continua a não fazer muito sentido. A Direcção Nacional da Polícia não fica num mercado municipal nem numa florista.
O único local, dentro da instituição, onde este agente pode ter obtido o seu material só pode ter sido na sala onde guardam as provas apreendidas. Se os tais centros de mesa foram feitos à base de papoilas, erva seca para dar um toquezinho e uma velinha para enfeitar, já não me choca ele ter sido louvado. Choca-me ter sido o único.

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