24/04/11

TERMINUS 242: JESUS, COMO O QUEREMOS?

 
Um estudo publicado no International Journal of Obesity (Revista Internacional da Obesidade, aka Gordo's Digest), fez saber que a comida representada em imagens da Última Ceia quase que duplicou de proporção no último milénio. As imagens de Jesus e de outras figuras bíblicas sempre foram adaptadas à época em que eram criadas. Antigamente havia escassez de alimentos, hoje há abundância (ou, pelo menos, ideia de); é natural que o Jesus antigo comparado com o nosso seja um lingrinhas. A questão é: será que estas representações limitam-se a acompanhar a evolução dos tempos?
Desenhar muita comida na mesa da Última Ceia é a última etapa antes de começar a representar Jesus gordo. Depois disso surgirão as dúvidas: como é que o colocaram lá em cima na cruz?, será que fizeram como os egípcios?. Mas não é isso que me incomoda, melhor dizendo, não é isso que vos devia incomodar. O que vos devia incomodar são os pecados.
A gula, por exemplo. Representar daquela maneira Jesus na sua última refeição, com um farto banquete à frente, é fazer Dele, passe a expressão, um javardo à mesa. O Homem tem de aspirar a ser como Ele, não rebaixá-Lo até Ele ficar ao nível do Homem.
Outro pecado: o orgulho. Ter um Jesus orgulhoso da companhia e do catering e da música ambiente e dos cocktails não se coaduna com a imagem do Jesus humilde e simples que nos foi dado a conhecer.
Por fim, se os pecados não vos convencem, que tal um pouco de moral e bom senso?
As imagens de comida, por muito reais que pareçam, não matam fome. Mas podem influenciar pessoas a comer. Se a imagem estiver a ser vista por alguém com problemas de peso, apenas servirá para que a pessoa fique ainda mais gorda; se, pelo contrário, estiver a ser vista por alguém que não tem nada para comer, apenas será interpretada como um gesto de pirraça.
Jesus foi aquela figura, real ou mítica não interessa, que votava o abandono dos bens materiais em prol da solidariedade. É aquela figura que suscita esperança nas pessoas porque o que é divino Nele é a Sua proximidade com o Homem comum. Jesus era pobre, não era rico, não comia pão de sementes, nem bolos de cenoura, nem enguias, nem porco. O tipo era judeu! Um judeu a comer carne de porco? Já agora punham lá coelho e caranguejo também! Se é para contradizer, contradigam a sério!
O que estas imagens nos transmitem é um afastamento daquilo que era a mensagem de Jesus e uma aproximação àquilo que é a mensagem da Igreja Católica. Já falei nisto antes e torno a falar: se Jesus votava o abandono dos bens materiais, por que razão é que o seu representante máximo na Terra anda com roupas de seda, debruadas com fios de ouro, sapatos italianos do mais caro que há, mora num palácio e tem um ceptro de ouro a imitar o Gandalf?

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