25/05/11

TERMINUS 245: A TROIKA PARA TOTÓS

 E pronto lá veio a Troika. Andava tudo preocupado, que ia ser muito difícil, que iam haver despedimentos em massa, e quem não era despedido tinha de trabalhar até aos 80 e afinal... Ah! Que alívio saber que não será necessário preocuparmos-nos tanto quanto supúnhamos.
Na Educação, por exemplo, basta fazermos uma “aproximação das competências às necessidades do mercado e combater o abandono escolar precoce” e está feito. Na Saúde, só faz falta “reduzir custos os operacionais dos hospitais, os custos com os sistemas de benefícios de saúde da administração pública, o preço dos medicamentos” e pronto.
Energia? É só “promover a concorrência, em particular nos sectores da energia e telecomunicações.” Dá muito trabalho? É capaz de dar. E por falar em Mercado de Trabalho, se “revermos o subsídio de desemprego, alterando os incentivos a ele inerentes e fizermos a reforma da legislação de protecção no emprego, promovendo a flexibilidade”, não teremos que nos preocupar com mais nada.
A nossa Saúde estará no caminho certo, assim como a nossa Educação, a nossa Energia e o Mercado de Trabalho. E o Mercado de Arrendamento? Ah! Esse... Nada mais fácil. Basta “dinamizar o mercado, restringir o endividamento das famílias e promover a mobilidade dos recursos humanos.” Parece tão fácil, não é?
Lendo tudo isto, quase que dá vontade de partir para outro país. E por falar em Transportes, se nós “revermos a estrutura tarifária, reduzirmos os custos operacionais e estabelecermos uns tectos de endividamento mais exigentes”, teremos a vida facilitada em ir para um país onde não nos tentem enfiar o barrete a toda a hora e a todo o instante.
Meus lindos, não sejam totós. O que acabaram de ler, não são as medidas inscritas no memorando da Troika, é a versão simplex do governo Sócrates desse mesmo documento. Procurem o original na net que está lá e vale a pena. Só para não serem apanhados de surpresa. Porque há diferenças.
O que o governo entende por “aproximação das competências às necessidades do mercado e combater o abandono escolar precoce”, no original vem “reduzir os custos na área da educação, com o objectivo de poupar 195 milhões de euros através da racionalização da rede de escolas e da criação de agrupamentos de escolas; redução das necessidades de pessoal; centralização das aquisições; redução e racionalização das transferências para as escolas privadas em contrato de associação”.
Isto é um exemplo, mas há mais. Não seja totó, nem preguiçoso. Informe-se.

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