29/05/11

TERMINUS 247: DO PREÇO CERTO AO SEXO RADIOFÓNICO

Porque é que o Preço Certo em Euros ainda está no ar? Anda tudo a falar do FMI e do Bin Laden e dos pintelhos do outro e ninguém fala do que realmente interessa. É assim tão difícil fazer um concurso a sério? Aqui há uns anos houve um programa de televisão que terminou um pouco antes do previsto por causa de um incêndio no estúdio. Não interessa o nome do programa, o canal que o exibiu, se foi um bom ou mau programa, interessa a ideia: o incêndio.
Pode não parecer mas isto, pelo menos para mim, é um incentivo. É possível acabar com a má televisão em Portugal. Só precisamos duma caixa de fósforos. Pensava que tinha de ganhar o Euromilhões, para poder comprar o canal e mandar cortar o sinal. Pelos vistos estava enganado.
Atenção! Há coisas que eu gosto no Preço Certo em Euros. As assistentes, por exemplo. Hão de reparar que, em qualquer concurso televisivo, sempre que oferecem electrodomésticos ou qualquer outro produto, há sempre uma gaja boa por perto. Pode ser um carro, mas pode ser também a porcaria mais inútil do mundo, como um descascador de azeitonas; ao lado está sempre uma gaja boa.
E o que eu não gosto no Preço Certo é isto! Não gosto de ser confundido. O que é que eles estão a oferecer afinal? Será que estão a mostrar que a gaja fica bem com a máquina de lavar, do género, “veja que bem que ficará a sua esposa com esta máquina ao lado!”, ou será o contrário? É que muitos homens não têm mulheres daquelas.
Da minha parte, estou safo. Tenho máquina de lavar e a minha mulher põe aquelas a um canto. Mas continua-me a fazer a confusão. Será que deixam os concorrentes escolher a gaja? De certeza que a alguns dava mais jeito.
Isto claro, partindo do princípio que ela não via telenovelas. Era o que faltava. O senhor Amílcar Almiro levava a gaja boa para casa e depois ela passa o tempo todo a ver telenovelas. Nada contra as telenovelas... antigas. O “Roque Santeiro”, o “Sassaricando”, a “Tieta”, essas eram para ver; as de agora, vão-me desculpar, mas... Não valem um chavo. Apesar de serem antigas, nos três exemplos que dei, as histórias duravam o tempo que tinham que durar, não é como agora.
Seria melhor se ouvisse rádio. Só que hoje em dia a rádio também já não é o que era. Não vale a pena dizer que não. Perdeu o seu brilho, o carisma dos tempos antigos. É preciso inovar. Eu tenho algumas ideias.
A primeira é: sexo radiofónico. O pessoal gosta de sexo, não ouve rádio, o que é que se faz? Uma radionovela para adultos, como se fazia antigamente; só que faz-se a cena codificada – por causa dos putos.
E a cena até era capaz de pegar. Não tenho dúvidas que há pessoal capaz de estar horas e horas a ouvir estática a ver se percebe alguma coisa. Assim tipo o pessoal que vê os canais de sexo e a SporTv codificados. Os amigos olham pra ele:
"Eh pá, larga isso!"
E o gajo: "Shiu!"
"Deixa de ser parvo."
"Acho que a gaja tá a gemer agora, meu. Man, esta cena..."
Outra ideia, também para uma radionovela: uma radionovela muda. Para quê?
Pensem naquelas pessoas assim um bocado burras que perdem facilmente o rumo da história. O que é que se faz? Acaba-se com a história. Não é novidade. Basta ver algumas telenovelas para vermos que história é coisa que não existe.
E então seria assim: entra a música do genérico. Hum.... Precisamos dum nome. Já sei! Podia-se chamar "Jacinta, Tulipa e Noz-Moscada"! Que tal? 3, 5 minutos de silêncio. Punha-se uma música nas cenas com maior carga emocional para o pessoal não se perder. E no fim: créditos finais.
"Não perca amanhã, mais um episódio de "Jacinta, Tulipa e Noz-Moscada"
No dia seguinte era ouvir o pessoal a falar do episódio anterior.
"Então e aquela parte assim?"
[silêncio prolongado]
"Tcham!!!"
"Iá! E curtiste daquela em que se só ouve...?
[silêncio ainda mais prolongado]
"Ouve, eu arrepiei-me todo com essa cena, meu."

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