03/06/11

TERMINUS 249: PURA E SIMPLES IMPLICÂNCIA

A pouco tempo do final da campanha para as Legislativas 2011, vale a pena olhar para o novato e troçar das suas propostas e das suas declarações. Pedrito, não é nada contra ti meu querido. Acredita que se o Louçã ou o Jerónimo ou o Paulinho ou o Zé fossem os estreantes, eu troçaria deles da mesma maneira que vou troçar de ti. E repara também como eu digo troçar e não gozar, prova de que embora faça uma crítica mordaz, ela é também inteligente ao invés de idiota.
Pronto, a primeira lição foi grátes. Não vás directo ao assunto. Enrola. Queimas tempo. Vamos às declarações? 'Bora.
A esperança vai vencer o medo”, frase dita a 25 de Maio na Guarda. Diz-me uma coisa, Pedrito. Qual foi o partido que chumbou o PEC IV por ser exigente demais e que no dia seguinte afirmou que tinha vetado esse documento por ser exigente de menos? Isso também assusta as pessoas. Entre os que saem e os que querem entrar, só muda a cor adicional.
O Governo quer “lançar o medo” porque não consegue fazer a “mudança”? E que mudança é essa, meu estimado líder dum partido que, tal como o partido do Governo, concordou com as medidas da troika? Mais uma vez, falho em ver essa tal mudança.
Ainda no mesmo dia, e no mesmo local, Passos Coelho prometeu criar um site para tornar públicas todas as nomeações. Não terás querido dizer, criar um site para tornar todas as nomeações públicas? Ou, porventura, um site para todas as nomeações, mas as públicas? É muito bonito quereres nomear as pessoas apenas com base no mérito e na competências, mas lembra-te que precisas de pessoas para trabalhar. Se te orientares apenas por esses critérios, como é que vai ser a tua vida?
Outra coisa. Quando puderes, sem pressa, explicas aos portugueses a diferença entre ser nomeado, indicado ou apontado para um cargo. Aqui vai uma dica para te poupar o trabalho. O Ricardo (nome fictício) é nomeado, o Troll é indicado e aquele é apontado.
Antes de passar na Guarda, Passos Coelho esteve em Gouveia onde disse que não está “pensado” nenhum agravamento dos impostos sobre os combustíveis. O que me tranquiliza tanto como “não estão em causa os despedimentos.” Não. Atenção à frase: Há cafés para toda a gente? Sim. Os cafés não estão em causa. Agora troca os cafés por despedimentos. Vês?
Mas a frase em concreto foi sobre os combustíveis e há algo nela que revela um descuido preocupante. No caso de não saberes, existe uma diferença entre dizer que não se vai fazer e não se pensou em fazer. Nota que, apesar de sabermos que é peta, a primeira dá-nos mais segurança porque é uma afirmação – não se vai fazer – enquanto que a segunda suscita algumas dúvidas. Quando alguém diz que ainda não pensou em fazer algo, isso significa que ou vai pensar em fazer ou vai fazer sem pensar.
Em que é que ficamos?

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