02/06/11

TERMINUS 248: A TROIKA E O DESEMPREGO

Quando tudo parece mau, quando olhamos à nossa volta e nada do que vemos nos anima, é sempre bom receber mensagens tranquilizadoras de pessoas de séria referência. Estou a um mês de fazer parte das estatísticas do desemprego e, tendo em conta a actual situação do país e as dificuldades crescentes para conseguir trabalho (já nem digo emprego), teria todas as razões para entrar em pânico. Felizmente para o meu espírito, a ministra do Trabalho, Helena André, assegurou publicamente que o acordo com a troika aumenta a protecção aos trabalhadores. Posso ficar descansado. Vindo de quem vem.
Ouvindo isto e olhando para o documento, a coisa até promete. O problema é que... Recuemos cento e dois anos. Enquanto não passava duma força clandestina, o Partido Republicano Português prometia Educação para todos, fossem ricos ou pobres. Chegados ao poder, tentaram dar início a esse projecto. Pode-se dizer que cometeram um retrocesso ao acabar com as escolas dos jesuítas, mas isso é outra história.
O ponto a considerar aqui é a diferença entre aquilo que os republicanos intentavam fazer e aquilo que conseguiram realmente fazer. Como em tudo na vida, há que fazer a necessária separação entre aquilo que não se faz porque não se pode ou não se consegue fazer e aquilo que não se faz porque não se quer fazer.
Graças à lei de 30 de Março de 1911, o ensino público passava a ser gratuito. No entanto, como saber ler ou escrever não mata a fome, muitas famílias continuavam a enviar os seus filhos trabalhar. Este cenário não é assim tão antigo. Quem não o viveu, de certeza que conhece alguém que passou por isto.
No fundo, o que eu pretendo dizer com isto é que, pode haver um fundo de verdade e de boas intenções no que diz a ministra Helena André. Só depende do ponto de vista. Do ponto de vista de alguém que pertence a um governo demissionário e que pretende salvaguardar o seu cargo, seja no Governo ou numa empresa associada, faz todo o sentido positivar as medidas da troika para que o PS seja reeleito. Do meu ponto de vista, como alguém que está prestes a ficar sem trabalho, só consigo ler aquela parte relativa à facilitação do despedimento individual. É a velha história do copo meio vazio ou meio cheio, com a diferença de muitos já não terem copo sequer.

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