11/06/11

TERMINUS 252: QUANDO O EXEMPLO VEM DE FORA

Embora faça parte daquela geração dos anos 80 e 90 para quem ir fazer compras a Espanha era todo um ritual revestido de secretismo e perigos, tenho de confessar que nunca viajei ao nosso país vizinho em modo clandestino. Para o bem e para o mal sou um tenrinho da época Schengen. Quer isto dizer que já fui a Espanha sim, mas não fui obrigado a viajar no porta-bagagem ou memorizar sequências infinitas de senha e contra-senha.
Estou só a repetir aquilo que o bêbado da rua me contou. Se alguma coisa não corresponder à verdade é a ele que se têm de queixar. Só não o façam se ele estiver com a camisola verde e o chapéu de alumínio.
Seja como for, hoje em dia, não só atravessamos a Europa quase duma ponta à outra apenas com o B.I, ou o Cartão de Cidadão para os mais modernos (sempre conseguiram votar no dia 5?), como podemos comprar tudo o que quiseremos sem levantar o rabo do sofá. O mundo está à distância dum clique e isso facilitou muita coisa, embora nem todas sejam boas.
Há dois anos foi noticiada a descoberta duma base da ETA na zona das Caldas da Rainha. Apesar das evidências, a notícia foi desmentida pelas autoridades portuguesas. Em muitos casos é indiscutível que as nossas autoridades procederam mal: este não é um deles. Sim, estava lá material para fazer explosivos, bastante dinheiro, telemóveis, armas e munição. Para as autoridades espanholas era uma base da ETA, para as autoridades portuguesas, e para mim, era uma arrecadação.
Sucede que, é raro mas acontece, eu estava errado e a ETA tem mesmo uma base em território português. Tomemos uns instantes para nos congratularmos pelo trabalho que fizemos Podemos ser maus em muita coisa, mas somos óptimos anfitriãos. É pena a coisa só ter sido descoberta agora, mas mais vale tarde que nunca.
Ao que parece, em Setembro de 2009, portanto, ao mesmo tempo que as autoridades portuguesas negavam a presença da ETA em Portugal, um membro dessa organização servia-se duma identidade falsa para ir à repartição das Finanças de Chaves e tratar do cartão de contribuinte. Isto é vergonhoso! Receber lições de moral de estrangeiros já é mau, recebê-las de terroristas é inqualificável. É quase o mesmo que a Elsa Raposo a dar conselhos sobre promiscuidade.
Perante este exemplo que moral temos nós para fugir aos impostos se os terroristas fazem tudo para ter a sua situação fiscal regularizada? Qual era o português que de livre vontade iria tratar do cartão de contribuinte? Tomara muitos não o terem. Se fosse um português, quanto muito falsificava um Master Card ou um Visa. O pessoal da ETA não vai por aí. São terroristas, fazem bombas, matam pessoas, só que sabem bem que tudo isso é desvalorizado quando comparado com a fuga aos impostos. Lembrem-se como é que apanharam o Al Capone. Eles são bascos, mas não são parvos.

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