14/06/11

TERMINUS 253: SEGREDOS DO NEGÓCIO

Ser um mau exemplo, seja no que for, quando tantos deram tão bons contributos para o correcto desempenho de determinada actividade é algo que devia fazer corar de vergonha muita gente. Tolera-se a má televisão, a má educação, o mau desempenho, o péssimo empenho, mas há coisas que não se toleram. Ou não se deviam tolerar. Há limites!
Quando não há bons exemplos a seguir, é diferente. Estamos num campo novo, não sabemos o que andamos fazer, tudo bem. Mas há sectores onde é indesculpável qualquer prestação menos que perfeita. Um exemplo claro disso está no sector da lavagem de roupa, onde figuras como o actor Paulo Matos, ou a jornalista Manuela Moura Guedes conferiam a devida credibilidade a um sector tão competitivo.
Mas onde o escândalo é maior é no igualmente competitivo sector da lavagem de dinheiro. Aqui, é impossível não referir Oliveira e Costa, Dias Loureiro, João Rendeiro, Vale e Azevedo e tantos outros. Exemplos não faltam. Como é possível, então, termos tão má imagem lá fora no que concerne à lavagem de dinheiro que se faz por cá? Que homenagem estamos a prestar ao trabalho que estas pessoas fizeram?
Lembram-se das idas de Dias Loureiro e de Oliveira e Costa à comissão de inquérito (vulgo enrolanço) convocada a propósito do BPN? Houve quem achasse que esses senhores não se lembravam ou não tinham certeza ou ainda que não podiam afirmar de forma exacta porque estavam a tentar esconder o que tinham feito. Eu concordo que eles até estavam a tentar esconder qualquer coisa, mas não acho que fosse nada criminoso, e sim vergonha. Vergonha não do que fizeram, mas de verem os seus segredos de profissão escrutinados e dissecados de forma impiedosa, sem qualquer consideração pelos danos que isso poderia causar.
Recordo um programa que a SIC transmitiu aqui há tempos, em que vários truques de ilusionismo eram descontruídos até ao ponto em que um analfabeto funcional ou mesmo um assessor de secretário de Estado seria capaz de rivalizar com o Luís de Matos. O programa gerou alguma controvérsia junto da comunidade dos ilusionistas (deve haver, não sei) que se queixou dos problemas que poderiam advir para o sector a partir do momento em que pessoas não qualificadas começassem a praticar magia.
Revendo as imagens de Dias Loureiro e de Oliveira e Costa no Parlamento, já não consigo ver dois senhores com vergonha de terem sido apanhados. Nem tão pouco consigo ver dois senhores com vergonha de estarem a revelar algo muito íntimo. Apenas vejo dois homens tristes por saberem que aquilo que estão a contar vai ser utilizado por pessoas despreparadas, pessoas que vão dar mau nome a uma actividade tão franca. E isso deixa-me também triste.

Sem comentários: