17/06/11

TERMINUS 255: O QUE (AINDA) NÃO SABEMOS

Por esta altura pouco ou nada se sabe sobre o novo governo PSD/CDS-PP.
Sabe-se que conseguiram ultrapassar a sua primeira contenda, que tinha que ver com a estrutura do executivo. Era uma questão delicada e que foi resolvida atempadamente, embora nem tudo tenha ficado explicado. Passos queria 10 ministros e Portas queria 12 ministérios. O primeiro elemento de clivagem é óbvio: depois do que se passou com os sobreiros, Portas quer dois ministérios sem ministros para assim não haver ninguém para acusar de qualquer eventual irregularidade. É uma medida sábia, mas que Passos não gostou.
Outra coisa que já se sabe, o próximo ministro vai ser um independente, sem qualquer ligação partidária, que esteja a par do programa do PSD e que tenha representado o partido nas “negociações” com a troika (a assinatura era para ter sido feita com uma caneta Parker de ponta fina azul, mas este senhor conseguiu fazer prevalecer a sua opção de assinar com uma caneta Molin de cor preta) e que, para os que ainda não adivinharam, utilize a forma popular de pronunciar “pelos púbicos”. Ou então Vitor Bento.
Sabe-se também que Passos vai continuar a apoiar Fernando Nobre. Tivemos a confirmação desse apoio ainda ontem, durante a visita dos representantes dos partidos com assento parlamentar ao Palácio de Belém, quando Passos Coelho disse, “É uma matéria do foro parlamentar, não cabe ao futuro Governo estar a envolver-se na escolha do presidente da AR.”
Aqueles que apontam a inexperiência de Passos Coelho como um forte handicap governamental, têm aqui um grande argumento. Uma coisa é cumprir promessas eleitorais, outra coisa é apoiar Fernando Nobre para presidente da Assembleia da República. Pode parecer, analisando as suas declarações de forma superficial, que Passos Coelho se está a descartar do apoio ao senhor da AMI; cabe a mim fazer a tão necessária análise mais aprofundada. É tão simples como isto: Passos Coelho é o presidente de qual partido? Qual foi o partido que conquistou mais votos e, em consequência, maior representatividade parlamentar? Quer isto dizer que Fernando Nobre vai mesmo ser eleito presidente da Assembleia da República, segunda figura do Estado, capaz(?) de desempenhar funções de Presidente da República caso o senhor de Boliqueime dê um jeito às costas ao mudar a lâmpada da sua marquise? Esperemos que não. Esperemos que a inexperiência de Passos não ofusce a experiência dos demais deputados.
E daí... até pode ser interessante ter o senhor Fernando Nobre a dirigir o hemiciclo. Relembrando o caso do protocolo com Valter Lemos, seria engraçado ver situação idêntica ou semelhante a acontecer em sentido inverso. “Não, senhor presidente. Primeiro tem de me dar a palavra e só depois é que me manda calar. Não é antes.”
Agora que penso bem, ter Fernando Nobre como presidente da Assembleia da República é o primeiro passo para conseguir a tão discutida (sempre que há eleições) redução do número de deputados. Com Mota Amaral e Jaime Gama havia muitos deputados a dormir e o trabalho aparecia feito. Passos quer que a Assembleia seja presidida por alguém capaz de adormecer todo o parlamento e verificar se as coisas continuam a funcionar ou não. É uma medida arriscada, principalmente porque pode resultar.

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