27/06/11

TERMINUS 259: CHAMADAS PARA AS URGÊNCIAS

Para começar, duas questões. Primeira: as chamadas de emergência são pagas? Não sei. O 0800 eu tenho a certeza que é grátis, o 112 não sei. Sei que dá para fazermos uma chamada quando não temos saldo, mas quem me diz que o dinheiro dessa chamada não é descontado assim que fazemos um carregamento? Outra: o que é uma urgência? Quando uma mulher está com seis meses de gravidez e às quatro da manhã apetece-lhe gelado de rúcula, como é que o homem se desenrasca? Isso é urgência, mas para eles não.
Estou-me a desviar do tema. Já volto a isto. Primeiro o preço. Não interessa se é grátis ou não. O mais certo é ser a pagar. Isto porque a pensar no novo sistema de filtragem de chamadas que estão a instalar, ou que já instalaram, vão precisar de pessoal para analisar a dialéctica, a metafísica, a síntaxe, etc. E isso sai caro.
Inquéritos para avaliar veracidade e estabelecer prioridades. É o que se quer fazer e em parte é pelo que eu escrevi há pouco. Nunca tive que ligar por causa de desejos de uma mulher grávida, isso cada um que se desenrasque, mas já liguei para pedir uma grade de minis. Pumba! Queixa crime em cima! Não é urgência. Não é urgência?! Sete gajos lá em casa para ver o jogo e só havia uma grade e estava tudo fechado e não é urgência? O quê? É só para os aleijados?
Um polígrafo por telefone. Fazia mais falta isso. Quantas vezes é que um operador do 112 terá pensado, “Este tipo 'tá-me a querer dar a tanga e eu a ver.” Mas ficava-se pelas pragas. Não tinha como saber quem mentia.
Até agora.
Mas eu já lhe disse! O meu marido caiu e não consegue respirar!”
Pois, já disse. E como é que eu sei que isso é verdade?”
Eu juro por tudo o que é mais sagrado--”
Bom, leve lá o telefone até ele para eu ouvir a respiração.”
(...)
Ó minha senhora, eu assim não oiço nada. Importa-se de parar com esse arfar?”
É o meu marido!”
Então diga a ele para parar! Assim não oiço nada!”
O meu marido não consegue respirar!”
E ela a dar-lhe com o marido! Oiça lá, esse telemóvel tem câmara?”
Isto não é telemóvel, é telefone.”
Mais essa. Não tem ninguém que tenha telemóvel com câmara?”
O meu mais novo tem, mas ele mora longe.”
Não tem importância, eu espero. Vai ter com ele, pede-lhe o telemóvel emprestado e filma o seu marido a estrebuchar. Envia o vídeo por MMS e nós enviamos a ambulância.
Mas isso assim fica muito caro!”
Então é porque não é uma coisa assim tão urgente! Apanhei-a!”
Mas apanhou o quê? Você é que está apanhado! O meu marido está prestes a morrer e você está aí com parvoíces?”
Se é assim deixe-me avisá-la que, caso o seu marido morra mesmo, agradecia que me ligasse novamente a cancelar o pedido de ambulância. Agora com as Urgências, as Maternidades e os SAPs, tudo a fechar, há muita gente à espera de uma ambulância. Muito obrigado e tenha um resto de dia bem passado.”
CLIC!

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