29/07/11

TERMINUS 267: O NOME DIZ TUDO

Embora seja uma cidade que aprecio muito e que conheço relativamente bem, não sou lisboeta. Como tal, apesar de não ficar alheio às mudanças que ocorrem na cidade, as mesmas não me deixam tão afectado como deixam aos seus residentes. Destas mudanças, aquelas que incomodam mais as pessoas não são aquelas inesperadas, são aquelas que, apesar de expectáveis, se acredita nunca virem a acontecer.
No programa do governo, perdão, no memorando do Troika, a redução do número de freguesias era uma das medidas mais polémicas. Assim como praticamente tudo o resto no memorando, esta é mais uma que se sabia inevitável, embora houvesse a esperança de que não passasse do papel. Não foi o caso.
A operação de junção, reformulação e eliminação já começou e Lisboa parece ter sido o concelho escolhido para os primeiros ensaios. De 53 passará ter 24 freguesias. Menos de metade. Será criada uma freguesia nova chamada Parque das Nações. Alguém quer adivinhar onde será? As doze freguesias da Baixa Lisboeta juntam-se na freguesia de Santa Maria Maior. E as marchas, senhores? E as marchas? A Mouraria e Alfama no mesmo desfile? Vai haver porrada na certa.
Esta opção de agrupar freguesias e atribuir um novo nome, sem ter em conta as suas diferenças culturais e territoriais é insuficiente. Na minha opinião, faria mais sentido agrupar, não só a freguesia, mas também o nome. Por exemplo, no concelho da Moita, onde resido, mantinha-se a freguesia sede de concelho e juntavam-se as restantes. Passar-se-ia então a ter Sarilhos do Gaio-Rosário e Vale de Alhos da Banheira. No Barreiro, terra que me viu nascer, o mesmo princípio. Mantinha-se a sede de concelho e agrupavam-se as restantes freguesias, ficando com Alto de Coina do Lavradio, Verderena de Santo André da Charneca de Palhais.
Outra opção, em vez de nomes compostos, seria recorrer à junção. Recorrerei de novo aos concelhos da Moita e Barreiro para exemplificar. Na Moita teríamos as freguesias de Moita, Saráiorio e Valhoseira; no Barreiro, o Barreiro, Altoinadio e Versanecalhais. Com o tempo as pessoa habituar-se-iam e daqui a tempos estaríamos a ouvir frases do género, “Sou versanecalhaiense com muito gosto!” E o senhor Bento? Mora na Valhoseira desde pequeno e todos os dias vai trabalhar para Altoinadio.
Seria um processo capaz de suscitar tumultos, mas que daria nomes bem mais interessantes do que aqueles que resultaram da reunião camarária em Lisboa. O PCP votou contra, o PSD e o CDS-PP abstiveram-se. Há quem diga que foi por discordarem da medida. Eu digo que foi por causa dos nomes. Morar em Santa Maria Maior é um pouco parvo, morar em Alfamaria já é um pouco menos.

26/07/11

TERMINUS 266: A CARTA

Quando algo fora do comum é noticiado, é habitual as pessoas mais perto do acontecimento, mesmo não fazendo parte dele, manifestarem-se publicamente com expressões do calibre de “Eu já estava mesmo ver.”, “Ainda no outro dia lhe disse.” ou “Já cá andava desconfiado.” Esta emissão de opinião que não diz nada em concreto faz parte do ser humano e, acima de tudo, do ser português. O fenómeno torna-se tão ou mais curioso quando aplicado a algo que... não constitui qualquer surpresa.
Na minha formação básica de jornalista, aprendi que noticiar é relatar os factos, tal e qual eles acontecem. Há, no entanto, alguns critérios essenciais a serem seguidos, tais como a proximidade, a actualidade e a relevância. Na época que se avizinha, estou certo de que não faltarão notícias em que nenhum destes critérios é observado.
Dou-vos exemplos. Uma mulher cair do sexto andar e morrer não é notícia. Seria notícia ela cair do sexto andar e sobreviver sem ferimentos. Ou cair do sexto andar e a meio da queda abrir-se um portal e ela passar para outra dimensão. Ou levantar voo. Isto seria notícia, a causa conhecida procedida por um efeito inesperado.
Um outro exemplo tem que ver com uma carta divulgada publicamente. A carta, assinada por notáveis socialistas, incluíndo ex-ministros do governo de Sócrates, faz saber das coisas que correram mal no governo que ocuparam. Naturalmente que isto não é notícia porque já toda a gente sabia que as coisas não estavam a correr bem.
É uma atitude que, por princípio não lhes fica bem, mas faz parte de ser político. Quando era secretário-geral, estava tudo bem, estavam todos bem com ele; assim que sai, começam logo a falar mal. É um pouco mesquinho, talvez. Todavia, consigo entender a posição destes ex-governantes e apoiantes socráticos. É difícil estar no centro dos acontecimentos e descrevê-los de forma objectiva; mais difícil ainda se torna quando somos parte interveniente nos mesmos. O ex-ministro da Economia, Vieira da Silva, ou a ex-ministra do Trabalho, Helena André, por exemplo, estavam demasiado próximos para pensar e falar livremente.
Tempo e distância. Por vezes é tudo o que precisamos para pôr as coisas em perspectiva. É o que nos permite falar dos acontecimentos com descontração, avaliar o que fizemos bem e o que fizemos mal.É o que nos permite fazer um balanço apurado e isento de especulação.
Mas admito que teria sido bem mais interessante, quiçá, mais produtivo, esta missiva ter sido escrita e divulgada há mais tempo. Porventura, antes disto tudo ter descambado da maneira como descambou. No tempo do conde D. Henrique, por exemplo.

22/07/11

TERMINUS 265: A OPÇÃO E A INDECISÃO

Como não militante ou simpatizante socialista possuo as valências necessárias para comentar a luta (renhida?) que decorre entre os dois candidatos principais, António José Seguro e Francisco Assis, ao cargo de secretário-geral do PS. Declaro aqui publicamente a minha não-militância e a minha não-simpatia, para que não me acusem de denegrir um candidato em relação ao outro. A minha intenção é denegrir os dois. Comecemos por Francisco Assis.
Uma coisa que me irrita na política e nos políticos não é tanto o que eles fazem ou dizem, mas o que utilizam para justificar essas acções. Francisco Assis fez parte do governo que aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O diploma, de acordo com as partes interessadas, ficou incompleto, porque não abordou a questão da adopção.
Enquanto governante, a opinião de Assis era a opinião do Governo, ou vice-versa; enquanto candidato, já pensa de maneira diferente. Diz ele que “Durante muito tempo tive dúvidas [sobre a adopção de crianças por casais do mesmo sexo], mas neste momento sou favorável, porque percebi que essas dúvidas se alicerçavam no mais puro preconceito.”
Naturalmente que Assis tem todo o direito de mudar de opinião. A questão é... porque é que muda? Será uma mudança genuína ou será calculada? A causa gay, chamemos-lhe assim, era um dos galões do Bloco de Esquerda e o PS apoderou-se disso. Tirou ao Bloco uma das suas causas e fez aquilo que tinha poder para fazer. Não fez tudo. Preferiu deixar um pouco para mais tarde.
A pergunta que eu faço é: se os skinheads estivessem em maior número na nossa sociedade, será que Francisco Assis estaria a dizer “Essa escória da estrangeirada, se fosse eu a mandar, era tudo corrido lá pra terra deles.” Até que ponto ele expressa a sua opinião, até que ponto ele joga com simpatias alheias?
Sobre António José Seguro, estou à espera que se decida, duma vez por todas, se a regionalização é uma prioridade ou não. Parece que, em algumas terras, ao almoço, é um compromisso inadiável; noutras, ao jantar, deixa de ser uma prioridade. Dava-me jeito saber em que é que ficamos.
É fácil escrever um artigo tendo por base uma mudança de opinião de um político. Contudo, se o político for António José Seguro, corre-se o risco de ele mudar de opinião entretanto. Se a mudança ocorrer a meio do artigo é menos grave. Pode ser que, chegando ao fim, ele tenha retornado à opinião anterior.
Ao contrário de Assis que assume as reinvidicações duma classe como sendo as suas, Seguro anda de terra em terra, como um verdadeiro arauto das suas exigências regionais. “Vocês aqui são contra ou favor da regionalização?”, dirá num discurso hipotético. E as pessoas, pensando que é uma pergunta de retórica, do género “Vocês estão aqui?”, respondem “Sim!”. Ou não, se forem contra. Seguro fica seguro da posição popular e opina em conformidade.

12/07/11

TERMINUS 264: CHAVÕES DE MORTE E REENCARNAÇÃO


Bom dia, senhora algo forte que está a beber o cafezinho com adoçante depois de ter emborcado um mil folhas e uma bola de berlim. Os outros também são bonitos, mas precisam de cortar os pelos do nariz. Vamos falar de morte? Vamos!
Há expressões que dá gosto ouvir sempre que alguém morre. Uma delas é “Tinha uma saúde de ferro.” É gira, porque quem a costuma ouvir mais são as pessoas que nunca vão ao médico. Não é porque não precisem, é porque não querem. Não querem, não vão e as pessoas todas pensam que é uma pessoa muito saudável. E tem um tumor do tamanho do pâncreas a lixá-lo todo por dentro.
Mas faz bem em não ir ao médico. Se for ao médico, o que é que acontece? “O senhor está muito doente! Tem de ficar acamado, a tomar estes vinte e sete comprimidos, dos quais só três fazem falta, e ficar assim até morrer daqui a dois meses!” Não indo ao médico, talvez morra num mês, talvez dois, talvez três. Mas ao menos curte a vida. E é isso que interessa.
Outra expressão muito comum e também muita gira é esta: “Coitado. Ao menos morreu depressa.” Quantas vezes é que ouviram isto? O que é que significa? Nada. Morreu depressa. Há aqueles que morrem devagar. Aquele morreu depressa. Foi de quê? Jacto? TGV?
Faz-me confusão isto. A morte não é rápida, não é lenta. É. A pessoa está viva e depois está morta. Não há meio termo. “Tem a ver com o tempo que demoramos a morrer.”
Nós começamos a morrer a partir do momento em que nascemos. Vejam a comparação. Um recém-nascido é jogado para o lixo, morre à fome ao fim de um dia, talvez dois. Um velho de 97 anos leva um balázio na cabeça e tem morte quase imediata. Qual deles é que teve uma morte lenta?
Há quem diga que, depois da morte, vem a reencarnação. Segundo algumas culturas, a espécie em que nós reencarnamos depende dos actos que fizemos na vida anterior. Se formos ladrões, poderemos reencarnar como políticos. Se formos mulheres, na próxima vida provavelmente seremos um creme hidratante à base de extractos naturais de plantas.
Voltando ao exemplo de há pouco, o que é que acontecerá quando se morre à nascença? Será que reencarnamos num órgão interno? Num germe?
Há quem diga que nestes casos, já que a pessoa não fez nada de mal, é considerada uma pessoa pura e vai para o Paraíso. Eu digo que esta apatia aos problemas da sociedade faz deles uns parasitas sociais. Se eles são puros por não fazerem nada na vida, o que é que podemos dizer das centenas de pessoas que vivem à custa do trabalho dos outros? São os nossos anjos da guarda? Pessoalmente prefiro a reencarnação à ressurreição. Sempre dá para fugir ao Fisco.

09/07/11

TERMINUS 263: ANDAR A PÉ

Porque é que dizemos "eu, pessoalmente" quando estamos a falar de nós próprios? Será que o facto de se estar a falar na primeira pessoa não chega para se perceber que é uma opinião pessoal? Não se diz "ele, pessoalmente" ou "tu, pessoalmente". O "pessoalmente" é sempre eu. E eu pessoalmente acho isto estúpido.
Como é que eu lido com isto? Praticando desporto. Ou melhor, andando a pé. Não é um desporto, mas também cansa. E parece fácil, só que não é. Tirar a carta e andar de carro daqui para ali, qualquer um faz, agora andar a pé... é preciso saber. Vê-se só por isto: um gajo demora quase um ano para aprender a andar a pé. Quanto tempo é que demora para aprender a andar de carro?
E andar a pé não cria vícios. Eu vejo o que acontece aos condutores quando ficam proibidos de conduzir. Geralmente são aqueles que viajam nos lugares da frente dos autocarros e vão a viagem toda a pedir ao motorista.
"Deixe-me conduzir só um bocadinho, vá lá! Eu sei o caminho!"
É a ressaca. A malta que anda a pé não sofre disso. Outra coisa boa de andar a pé: costuma ser grátis, não quer dizer que seja sempre. Há quem goste de pagar 25 euros para subir e descer degraus ao som de música ritmada. “Desde que comecei que me sinto muito mais leve,” diz o cachalote que vai do segundo andar para o rés-do-chão de elevador e depois de cada aula repõe as calorias perdidas com uma injecção de calda de açúcar.
Quem foi a alminha que chamou ao step desporto? Aquilo é subir e descer um degrau. Mais nada. Passadeira rolantes. Andar devagar, andar depressa. É preciso gastar dinheiro nisso?
O tempo que uma pessoa gasta de casa até ao ginásio, a subir e descer as escadas, quando finalmente chega lá já não precisa de treinar mais.
Eu vejo as coisas da seguinte forma: se for possível organizar um campeonato, é desporto; senão é perda de tempo e dinheiro. Imagino como será um campeonato de step. Nem ponho a hipótese de não existir. É uma ideia estúpida, logo existe. O que é que avaliam? São pessoas a andar. Categorias: coxos, mutilados e pessoal com duas pernas. Seria uma competição interessante de se ver. Bizarra, mas interessante.

06/07/11

TERMINUS 262: OS ANOS PASSAM E...


NETOS E AVÓS

Não importa a idade que temos, para os avós, um neto tem sempre dois anos. Não passa daí. Pode já ser casado. Ser doutorado em engenharia astrofísica. Os avós continuam sempre a tratá-lo como se fosse um atrasado mental. E, por causa disso, continuam a causar embaraços nas piores situações.
Um homem feito, no fim da licenciatura, que viva com os avós, leva a namorada a casa para conhecer os pais e a avó aparece com um par de cuecas sujas a perguntar, “Estas cuecas são tuas?”
Fica logo tudo estragado. Não interessa se as cuecas são ou não são dele. Se forem é mau. E mesmo que não sejam, é mau na mesma. Porque não há como voltar atrás. E não há nada que se possa dizer.
Imaginem que ele está numa situação delicada. Mas qual? Não existem situações indelicadas para uma avó. As avós são como os MIB. Entram em todo o lado. Atrevam-se a dizer “Não pode entrar” a uma avó e vão ver a sorte que vos calha.
Pode acontecer por exemplo, como já deve acontecido a muita gente, a avó entrar no quarto, quando se está a tentar aumentar a taxa de natalidade no nosso país, e dizer:
“Não te esqueças da televisão acesa como é teu hábito. Olha que eu tenho mais que fazer do que vir aqui às quatro da manhã para apagar a apagar a televisão.”
Tenta-se manter a calma, só que não há muito por onde escolher. Porque, se não lhe respondem, ela começa logo, “Não me ouves a falar contigo?”
Por outro lado, se lhe respondem, aí é que tá tudo estragado. Basta dizerem uma coisinha simples como, “Avó, importa-se? Eu e a minha mulher estamos a tentar fazer um filho.”
“Pronto. Desculpe se incomodei. Não se pode dizer nada que fica logo todo enxonfrado. Chiça!”
E depois sai. Mas continua-se a ouvir em toda a casa.


AS IDOSAS DE SATÃ

Irritam-me aquelas velhas beatas que me aparecem à frente para impigir a porcaria do Sentinela. Detesto. Nada contra a religião, nada contra a revista, mas os fiéis... Custa muito tirar um curso de técnica de vendas? Eu acho que não. E por enquanto são só essas. Eu quero ver se isto alastra a outros credos. Tipo, pessoal satânico. Aquilo não é só malta nova. Também há velhos lá. O pessoal que é marado para entrar lá, fica lá pra sempre; não se cura assim muito facilmente.
Tenho medo do dia em que me apareça uma velha à frente com uma t-shirt de Cradle a dizer: "O sangue! O sangue!" Mais uma vez, cá temos o problema da técnica de venda.
E esta da roupa é outra. Habitualmente, eu visto-me de preto. Quantas vezes é que não há um palhaço qualquer que se chega ao pé de mim e pergunta: "És satânico?" ou “És gótico?” É sempre! E no entanto, nunca vi ninguém a perguntar isso a uma dessas velhas que se vestem de preto. Porquê?
Sabem o que é que respondo quando me perguntam porque é que me visto de preto? É porque não se notam tanto as manchas de sangue.
Se eu me vestisse de branco, será que me interpelariam com dúvidas do género, "Doutor, não me estou a sentir bem. Será que me podia passar qualquer coisa?"
Roupa é apenas roupa. Eu sempre que vejo um gajo de calças pretas e camisa branca, não me aproximo dele e peço um café e um copo de água, só porque parece um empregado de café. Pode não ser. Roupa é apenas roupa.

03/07/11

TERMINUS 261: INCONGRUÊNCIAS ETNOGEOGRÁFICAS

 Jesus era monhê. O que era normal naquela zona. E era normal também o pessoal consumir a sua ervazinha aromática. Não admira que vissem tantos milagres naquela época. Imagino Jesus e os seus apóstolos, tudo ali numa rodinha e Jesus a fazer o milagre do pão.
"Ena man, tanto pão!"
"Este Jesus é uma moca!"
"Tá-se bem..."
Até aposto que houve um, pelo menos um, apóstolo que chegou junto de Jesus quando este estava crucificado, para lhe cravar mortalhas. E Jesus, cheio de mágoa, ainda dorido dos ferimentos que lhe haviam sido infligidos, terá respondido, "Vê-me aí no bolso de trás."
O pior que Jesus terá sofrido durante a crucificação deve ter sido as moscas. Porque ele não se conseguia coçar. E quem já esteve crucificado, com moscas no nariz, sabe que é uma tortura dos diabos. Ou, neste caso, dos romanos. E morreu ao sol, o que sugere que não terá posto protector solar. Assim é claro que ia morrer. Estava à espera do quê? De um milagre?
Ainda assim, Jesus ser monhé não é grave. Desde que a Igreja não o admita. O que faltava aí eram padres na rua a vender flores. Se bem que seria mais estranho se Jesus fosse dread e os padres tivessem que falar na mensagem divina em modo freestyle. Imaginem como seria nas missas. Em vez do padre, haveria um DJ. A marcha nupcial seria feita ao som de beatbox.
Apesar das evidências, a Igreja não reconhece as origens etnogeográficas de Jesus. O que é estranho, uma vez que a figura de Jesus teve várias interpretações ao longo dos séculos. Os nazis, por exemplo, acreditavam na existência de um Jesus loiro e de olhos azuis. Era assim que eles o viam, o que não abona muito a favor do ensino da Geografia na Alemanha. Até existem alguns quadros de séculos anteriores que retratam Jesus com esse aspecto. Era a imagem do homem perfeito: alto, loiro, de olhos azuis. Todos os que não fossem assim, eram impuros e deviam ser mortos. Principalmente os judeus.
Os nazis, como toda a gente sabe, eram liderados por um senhor chamado Adolfo, Hitler para os historiadores, que não era judeu, mas também não era exactamente alto, loiro e de olhos azuis. Deve ter sido por isso que ele se matou.
No dia do seu aniversário, a Eva Braun, não confundir com as depiladoras nem com as batedeiras, chega-se ao pé dele e diz, "Tens a cara cheia de pontos negros. Vou-te oferecer um creme para pores nisso."
E ele, que era o líder do Terceiro Reich, disse, "Não. Homem que é homem não usa creme."
"Então, vou-te oferecer um espelho."
E assim foi. Eva ofereceu-lhe um espelho e a primeira vez que Hitler se viu ao espelho percebeu que não era loiro e... bang!