03/07/11

TERMINUS 261: INCONGRUÊNCIAS ETNOGEOGRÁFICAS

 Jesus era monhê. O que era normal naquela zona. E era normal também o pessoal consumir a sua ervazinha aromática. Não admira que vissem tantos milagres naquela época. Imagino Jesus e os seus apóstolos, tudo ali numa rodinha e Jesus a fazer o milagre do pão.
"Ena man, tanto pão!"
"Este Jesus é uma moca!"
"Tá-se bem..."
Até aposto que houve um, pelo menos um, apóstolo que chegou junto de Jesus quando este estava crucificado, para lhe cravar mortalhas. E Jesus, cheio de mágoa, ainda dorido dos ferimentos que lhe haviam sido infligidos, terá respondido, "Vê-me aí no bolso de trás."
O pior que Jesus terá sofrido durante a crucificação deve ter sido as moscas. Porque ele não se conseguia coçar. E quem já esteve crucificado, com moscas no nariz, sabe que é uma tortura dos diabos. Ou, neste caso, dos romanos. E morreu ao sol, o que sugere que não terá posto protector solar. Assim é claro que ia morrer. Estava à espera do quê? De um milagre?
Ainda assim, Jesus ser monhé não é grave. Desde que a Igreja não o admita. O que faltava aí eram padres na rua a vender flores. Se bem que seria mais estranho se Jesus fosse dread e os padres tivessem que falar na mensagem divina em modo freestyle. Imaginem como seria nas missas. Em vez do padre, haveria um DJ. A marcha nupcial seria feita ao som de beatbox.
Apesar das evidências, a Igreja não reconhece as origens etnogeográficas de Jesus. O que é estranho, uma vez que a figura de Jesus teve várias interpretações ao longo dos séculos. Os nazis, por exemplo, acreditavam na existência de um Jesus loiro e de olhos azuis. Era assim que eles o viam, o que não abona muito a favor do ensino da Geografia na Alemanha. Até existem alguns quadros de séculos anteriores que retratam Jesus com esse aspecto. Era a imagem do homem perfeito: alto, loiro, de olhos azuis. Todos os que não fossem assim, eram impuros e deviam ser mortos. Principalmente os judeus.
Os nazis, como toda a gente sabe, eram liderados por um senhor chamado Adolfo, Hitler para os historiadores, que não era judeu, mas também não era exactamente alto, loiro e de olhos azuis. Deve ter sido por isso que ele se matou.
No dia do seu aniversário, a Eva Braun, não confundir com as depiladoras nem com as batedeiras, chega-se ao pé dele e diz, "Tens a cara cheia de pontos negros. Vou-te oferecer um creme para pores nisso."
E ele, que era o líder do Terceiro Reich, disse, "Não. Homem que é homem não usa creme."
"Então, vou-te oferecer um espelho."
E assim foi. Eva ofereceu-lhe um espelho e a primeira vez que Hitler se viu ao espelho percebeu que não era loiro e... bang!

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