06/07/11

TERMINUS 262: OS ANOS PASSAM E...


NETOS E AVÓS

Não importa a idade que temos, para os avós, um neto tem sempre dois anos. Não passa daí. Pode já ser casado. Ser doutorado em engenharia astrofísica. Os avós continuam sempre a tratá-lo como se fosse um atrasado mental. E, por causa disso, continuam a causar embaraços nas piores situações.
Um homem feito, no fim da licenciatura, que viva com os avós, leva a namorada a casa para conhecer os pais e a avó aparece com um par de cuecas sujas a perguntar, “Estas cuecas são tuas?”
Fica logo tudo estragado. Não interessa se as cuecas são ou não são dele. Se forem é mau. E mesmo que não sejam, é mau na mesma. Porque não há como voltar atrás. E não há nada que se possa dizer.
Imaginem que ele está numa situação delicada. Mas qual? Não existem situações indelicadas para uma avó. As avós são como os MIB. Entram em todo o lado. Atrevam-se a dizer “Não pode entrar” a uma avó e vão ver a sorte que vos calha.
Pode acontecer por exemplo, como já deve acontecido a muita gente, a avó entrar no quarto, quando se está a tentar aumentar a taxa de natalidade no nosso país, e dizer:
“Não te esqueças da televisão acesa como é teu hábito. Olha que eu tenho mais que fazer do que vir aqui às quatro da manhã para apagar a apagar a televisão.”
Tenta-se manter a calma, só que não há muito por onde escolher. Porque, se não lhe respondem, ela começa logo, “Não me ouves a falar contigo?”
Por outro lado, se lhe respondem, aí é que tá tudo estragado. Basta dizerem uma coisinha simples como, “Avó, importa-se? Eu e a minha mulher estamos a tentar fazer um filho.”
“Pronto. Desculpe se incomodei. Não se pode dizer nada que fica logo todo enxonfrado. Chiça!”
E depois sai. Mas continua-se a ouvir em toda a casa.


AS IDOSAS DE SATÃ

Irritam-me aquelas velhas beatas que me aparecem à frente para impigir a porcaria do Sentinela. Detesto. Nada contra a religião, nada contra a revista, mas os fiéis... Custa muito tirar um curso de técnica de vendas? Eu acho que não. E por enquanto são só essas. Eu quero ver se isto alastra a outros credos. Tipo, pessoal satânico. Aquilo não é só malta nova. Também há velhos lá. O pessoal que é marado para entrar lá, fica lá pra sempre; não se cura assim muito facilmente.
Tenho medo do dia em que me apareça uma velha à frente com uma t-shirt de Cradle a dizer: "O sangue! O sangue!" Mais uma vez, cá temos o problema da técnica de venda.
E esta da roupa é outra. Habitualmente, eu visto-me de preto. Quantas vezes é que não há um palhaço qualquer que se chega ao pé de mim e pergunta: "És satânico?" ou “És gótico?” É sempre! E no entanto, nunca vi ninguém a perguntar isso a uma dessas velhas que se vestem de preto. Porquê?
Sabem o que é que respondo quando me perguntam porque é que me visto de preto? É porque não se notam tanto as manchas de sangue.
Se eu me vestisse de branco, será que me interpelariam com dúvidas do género, "Doutor, não me estou a sentir bem. Será que me podia passar qualquer coisa?"
Roupa é apenas roupa. Eu sempre que vejo um gajo de calças pretas e camisa branca, não me aproximo dele e peço um café e um copo de água, só porque parece um empregado de café. Pode não ser. Roupa é apenas roupa.

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