12/07/11

TERMINUS 264: CHAVÕES DE MORTE E REENCARNAÇÃO


Bom dia, senhora algo forte que está a beber o cafezinho com adoçante depois de ter emborcado um mil folhas e uma bola de berlim. Os outros também são bonitos, mas precisam de cortar os pelos do nariz. Vamos falar de morte? Vamos!
Há expressões que dá gosto ouvir sempre que alguém morre. Uma delas é “Tinha uma saúde de ferro.” É gira, porque quem a costuma ouvir mais são as pessoas que nunca vão ao médico. Não é porque não precisem, é porque não querem. Não querem, não vão e as pessoas todas pensam que é uma pessoa muito saudável. E tem um tumor do tamanho do pâncreas a lixá-lo todo por dentro.
Mas faz bem em não ir ao médico. Se for ao médico, o que é que acontece? “O senhor está muito doente! Tem de ficar acamado, a tomar estes vinte e sete comprimidos, dos quais só três fazem falta, e ficar assim até morrer daqui a dois meses!” Não indo ao médico, talvez morra num mês, talvez dois, talvez três. Mas ao menos curte a vida. E é isso que interessa.
Outra expressão muito comum e também muita gira é esta: “Coitado. Ao menos morreu depressa.” Quantas vezes é que ouviram isto? O que é que significa? Nada. Morreu depressa. Há aqueles que morrem devagar. Aquele morreu depressa. Foi de quê? Jacto? TGV?
Faz-me confusão isto. A morte não é rápida, não é lenta. É. A pessoa está viva e depois está morta. Não há meio termo. “Tem a ver com o tempo que demoramos a morrer.”
Nós começamos a morrer a partir do momento em que nascemos. Vejam a comparação. Um recém-nascido é jogado para o lixo, morre à fome ao fim de um dia, talvez dois. Um velho de 97 anos leva um balázio na cabeça e tem morte quase imediata. Qual deles é que teve uma morte lenta?
Há quem diga que, depois da morte, vem a reencarnação. Segundo algumas culturas, a espécie em que nós reencarnamos depende dos actos que fizemos na vida anterior. Se formos ladrões, poderemos reencarnar como políticos. Se formos mulheres, na próxima vida provavelmente seremos um creme hidratante à base de extractos naturais de plantas.
Voltando ao exemplo de há pouco, o que é que acontecerá quando se morre à nascença? Será que reencarnamos num órgão interno? Num germe?
Há quem diga que nestes casos, já que a pessoa não fez nada de mal, é considerada uma pessoa pura e vai para o Paraíso. Eu digo que esta apatia aos problemas da sociedade faz deles uns parasitas sociais. Se eles são puros por não fazerem nada na vida, o que é que podemos dizer das centenas de pessoas que vivem à custa do trabalho dos outros? São os nossos anjos da guarda? Pessoalmente prefiro a reencarnação à ressurreição. Sempre dá para fugir ao Fisco.

Sem comentários: