22/07/11

TERMINUS 265: A OPÇÃO E A INDECISÃO

Como não militante ou simpatizante socialista possuo as valências necessárias para comentar a luta (renhida?) que decorre entre os dois candidatos principais, António José Seguro e Francisco Assis, ao cargo de secretário-geral do PS. Declaro aqui publicamente a minha não-militância e a minha não-simpatia, para que não me acusem de denegrir um candidato em relação ao outro. A minha intenção é denegrir os dois. Comecemos por Francisco Assis.
Uma coisa que me irrita na política e nos políticos não é tanto o que eles fazem ou dizem, mas o que utilizam para justificar essas acções. Francisco Assis fez parte do governo que aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O diploma, de acordo com as partes interessadas, ficou incompleto, porque não abordou a questão da adopção.
Enquanto governante, a opinião de Assis era a opinião do Governo, ou vice-versa; enquanto candidato, já pensa de maneira diferente. Diz ele que “Durante muito tempo tive dúvidas [sobre a adopção de crianças por casais do mesmo sexo], mas neste momento sou favorável, porque percebi que essas dúvidas se alicerçavam no mais puro preconceito.”
Naturalmente que Assis tem todo o direito de mudar de opinião. A questão é... porque é que muda? Será uma mudança genuína ou será calculada? A causa gay, chamemos-lhe assim, era um dos galões do Bloco de Esquerda e o PS apoderou-se disso. Tirou ao Bloco uma das suas causas e fez aquilo que tinha poder para fazer. Não fez tudo. Preferiu deixar um pouco para mais tarde.
A pergunta que eu faço é: se os skinheads estivessem em maior número na nossa sociedade, será que Francisco Assis estaria a dizer “Essa escória da estrangeirada, se fosse eu a mandar, era tudo corrido lá pra terra deles.” Até que ponto ele expressa a sua opinião, até que ponto ele joga com simpatias alheias?
Sobre António José Seguro, estou à espera que se decida, duma vez por todas, se a regionalização é uma prioridade ou não. Parece que, em algumas terras, ao almoço, é um compromisso inadiável; noutras, ao jantar, deixa de ser uma prioridade. Dava-me jeito saber em que é que ficamos.
É fácil escrever um artigo tendo por base uma mudança de opinião de um político. Contudo, se o político for António José Seguro, corre-se o risco de ele mudar de opinião entretanto. Se a mudança ocorrer a meio do artigo é menos grave. Pode ser que, chegando ao fim, ele tenha retornado à opinião anterior.
Ao contrário de Assis que assume as reinvidicações duma classe como sendo as suas, Seguro anda de terra em terra, como um verdadeiro arauto das suas exigências regionais. “Vocês aqui são contra ou favor da regionalização?”, dirá num discurso hipotético. E as pessoas, pensando que é uma pergunta de retórica, do género “Vocês estão aqui?”, respondem “Sim!”. Ou não, se forem contra. Seguro fica seguro da posição popular e opina em conformidade.

Sem comentários: