06/08/11

TERMINUS 268: MÉRITO E COPIANÇO

Depois dos juízes foi agora a vez dos pretendentes a advogados serem apanhados a copiar em exames. Este tipo de situação demonstra bem o estado do ensino em Portugal. Estamos a falar de pessoas com, pelo menos, quinze anos de estudos. Quinze anos! E ainda não aprenderam a copiar sem serem apanhados? Isto deixa-me seriamente preocupado. Como cidadão não me interessa saber se determinado juiz ou advogado cabularam para chegarem onde chegarão. Prefiro não saber. Prefiro acreditar que sabem o que estão ali a fazer, que chegaram ali por mérito próprio. Se foram apanhados em falta, castigue-se. Se não, aprove-se.
Estenda-se isto a outras profissões. Quando vamos ao médico queremos acreditar que estamos a ser atendidos por alguém que trabalhou para chegar ali. Saber que o sujeito de branco que nos está a cobrar 60€ pela consulta desconhece a diferença entre a omoplata e a tíbia é coisa para nos deixar inquietos.
Mas existe um outro aspecto que me inquieta ainda mais no caso da justiça e seus elementos. Em Portugal pode não existir – tanto quanto sei – a figura do precedente jurídico, mas isso não impede que seja aqui criado um precedente. Já foi a vez dos juízes e dos advogados; pelo andar da carruagem, a seguir será a vez dos réus. Todos nós somos inocentes, até prova em contrário, logo todos nós somos passíveis de sermos acusados. Como tal, é preciso estar à altura das expectativas.
Como se sentiriam os advogados e o juiz se soubessem que o réu que está a ser julgado cabulou para chegar ali? Estou certo de que não iriam gostar. Para evitar esse tipo de constrangimentos, resolvi enunciar algumas dicas ao futuros candidatos a exame da Ordem dos Réus.
1 – Não ser apanhado a copiar. Se for, dar uma carga de porrada ao examinador, habilitando-se assim à primeira acusação por agressão.
2 – Tentar desviar as atenções do examinador para outra situação. Uma bomba de pequena alcance colocada previamente num contentor de lixo fora da sala costuma chegar.
3 – Quando não souber uma resposta, aposte com o examinador em como ele também não sabe. Aposte também em como é capaz de fazer o exame sem copiar se ele abandonar a sala durante vinte minutos.
Enfim, são dicas básicas, aplicáveis a qualquer exame. Espero que vos sirvam de alguma coisa.

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