15/08/11

TERMINUS 270: MENOS TRANSPARÊNCIA, POR FAVOR

Um motorista da Secretaria de Estado da Cultura recebe 1866 euros mensais. Um especialista no Ministério do Ambiente recebe 3069 euros mensais. Um adjunto desse mesmo especialista recebe o mesmo valor. Uma adjunta, novamente na Secretaria de Estado da Cultura, recebe 4724 euros mensais.
Estas informações foram retiradas do site criado pelo governo de Passos Coelho para tornar o mais transparente possível as nomeações feitas pelo executivo. Em ocasiões prévias abordei o problema da idoneidade política. Escrevi então que a desonestidade de alguns elementos da classe política é o que nos inibe a consciência das pequenas infrações que cometemos. Por outras palavras, não nos sentimos culpados por não declarar cem euros às Finanças, porque de certeza que há um político que meteu cem mil ao bolso.
No caso das nomeações, a situação torna-se bastante mais grave. É, por assim dizer, o fim dum sonho. Mais trágico ainda que descobrir que não existe Pai Natal, coelho da Páscoa, fada dos dentes ou senhores invisíveis no céu é perceber que não vale a pena estudar para ser doutor quando se ganha mais em ser chauffeur.
Felizmente, temos também os especialistas. O especialista está para a política como o trolha está para a obra. Um especialista está apto a desempenhar funções muito específicas, ou seja, nenhumas. Qualquer pessoa é especialista na sua profissão. Pode fazer bem ou mal, mas é especialista nisso. A diferença entre essa pessoa e um especialista é que a primeira não precisa de referir isso, enquanto que a segunda refere para que fique bem claro que “a sua especialidade não é aquela”.
Outra coisa que também me alivia é saber que há limites para toda esta transparência. No site das nomeações estão lá todos os nomeados e seus vencimentos. Com algumas excepções, claro. No Gabinete do Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social sabemos que existe um assessor técnico que recebe o mesmo que recebia no seu cargo anterior nos CTT. Não sabemos é quanto. A mesma coisa para o Chefe de Gabinete do Ministério da Solidariedade e Segurança Social. Sabemos que recebe o mesmo que recebia na empresa HS – Consultores de Gestão, as. Falta saber é quanto. De certeza que há mais casos além destes e ainda bem. Pior que não acabarem com o despesismo é não o esconderem.

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