04/10/11

TERMINUS 275: BIPOLARISMO POLÍTICO

Alguém me sabe dizer qual é o partido com que o CDS-PP está coligado no Governo? Por acaso tem alguma coisa a ver com o partido que está no poder do Governo Regional da Madeira há mais de trinta anos? Reparem que eu não sou por um ou por outro; só estou a perguntar.
O Paulinho das feiras deu um saltinho à Madeira para comparar Alberto João Jardim a José Sócrates. Acho estranho que ele tenha lá ido fazer um discurso de cinco minutos para depois regressar logo ao continente. Sempre julguei que o zapping desse até meia hora.
Ora bem, à primeira vista diria que não há com que comparar Alberto João Jardim e José Sócrates. Mas basta olharmos com alguma atenção para percebermos as semelhanças. Para começar, ambos são políticos e ambos têm PSD como matriz ideológica. Se os observarmos com ainda mais atenção, percebemos um comportamento padrão. Quando acusados de algo, é costume tentarem desviar as atenções dizendo que os seus acusadores estão a acusá-los para tentar desviar as atenções. A chamada campanha negra. É complicado, mas isto da política não é para todos.
Paulo Portas acusou Alberto João Jardim de ser despesista como Sócrates. Por outras palavras, o PSD Madeira é igual ao PS do continente. O problema, quer queiramos quer não, é que o PSD Madeira faz parte do PSD do continente. O que é o mesmo que dizer que o PSD do continente é o mesmo que o PS do continente e eu não acho que seja correcto comparar Pedro Passos Coelho a António José Seguro. É verdade que ambos começaram nas Jotas dos seus partidos, é verdade que Seguro, tal como Passos Coelho quando estava na oposição, tem o hábito de mudar de opinião a cada almoço que realiza, mas só isso não chega.
Faz-me confusão, embora não tenha nada a ver com isso, o nível de esquizofrenia com que os líderes políticos estabelecem e desfazem alianças. Que o adversário de ontem seja um aliado hoje contra um adversário mais perigoso, como costuma acontecer nas Presidenciais, entende-se. É uma aliança temporária para evitar um mal maior. Custa-me a perceber, no entanto, que o adversário de hoje seja também o aliado de hoje. Talvez seja bipolarismo político.

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