10/10/11

TERMINUS 277: HISTÓRIAS DE (DES)ENCANTAR

Era uma vez um menino chamado Pedrito. O Pedrito era muito traquinas, mas era um bom menino. Cumprimentava as pessoas e dizia “por favor” e “obrigado”. Durante o dia, enquanto os pais estavam a trabalhar, o Pedrito ia para uma Creche muito bonita e colorida. O Pedrito tinha muitos coleguinhas nessa Creche, com os quais brincava o dia todo.
Todos os dias, ao final da tarde, o pai ou a mãe do Pedrito iam buscá-lo à Creche. Depois duma boa banhoca e dum delicioso jantar, o Pedrito ia para a cama fazer óó. Antes de adormecer, o Pedrito gostava sempre de ouvir uma história de encantar. O pai ou a mãe diziam-lhe então para ele escolher que história ele queria ouvir.
O Pedrito tinha um quarto muito grande, com muitos e muitos livros. O Pedrito gostava de todos os livros que tinha. Mas só havia um que ele gostava de ouvir antes de fazer óó. Apesar de já saber a história de cor e salteado, o Pedrito não escolhia outro livro senão aquele e os pais não insistiam. Apoiavam o filho nessa escolha e sentavam-se ao seu lado para contar essa tal história.
E a história dizia assim:
Há muito, muito tempo, numa ilha muito distante, vivia um rei que se gostava de vestir de Carmen Miranda e de Pipa (de vinho, não diminutivo de Filipa, embora quem se vista de Carmen também se possa vestir de Filipa). Nessa ilha viviam muitas pessoas, muitos animais e também o rei. A ilha era muito bonita e as pessoas gostavam de viver lá, mas o rei nunca estava satisfeito.
De vez em quando as pessoas tinham de dizer se gostavam daquele rei ou se queriam outro. Como a ilha era muito grande, o rei enviava carroças a casa de todas as pessoas que moravam longe. Àquelas que ficavam satisfeitas com este gesto de boa vontade do rei dizendo que queriam que ele fosse rei por mais quatro anos, o rei dava-lhes boleia de volta para casa. As outras iam a pé.
A cada convocação, as pessoas apareciam para dizer que queriam que o rei ficasse. E todas podiam voltar para casa, manter os empregos, não perder pensões ou subsídios ou não cair, sem querer, duma ravina abaixo.
As pessoas voltavam às suas vidas e o rei sentava-se no trono porque ele era bom para as pessoas e as pessoas eram boas para ele.
Quando acabava a história, o Pedrito já dormia profundamente. Com muito cuidado, o pai ou a mãe pousava o livro na estante e saía do quarto de mansinho. Na sala encontrava-se com a sua cara metade e suspirava:
“Porra que já não posso mais com esta história! Ainda gostava de saber quem foi a besta que decidiu escrever um livro infantil com base nas eleições na Madeira.”

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