10/11/11

TERMINUS 279: CONFIANÇA

Quando se está afastado algum tempo é sempre difícil encontrar o tema certo para abordar num artigo de análise. Felizmente temos o Expresso, esse jornal grande, onde se encontra sempre qualquer coisa.
No site do Expresso (são oito da manhã, está a chover como o caraças, ainda não saí de casa e não vou sair só para ir comprar o jornal) vinha hoje (dia 9 de Novembro) uma pequena... peça informativa sobre a relação de confiança que nós temos com as instituições conotadas com o Governo.
O artigo, apesar de pequeno (tem apenas três parágrafos), possui uma complexidade de ideias tão bizarras que quase que parece que é sério. Tão sério que me atrevo a dizer que se isto fosse um estudo elaborado por algum instituto público, o mais certo era fechar portas depois. Como é só uma opinião, o máximo que conseguimos é colocar alguém a fazer transfusões de sangue sob a vigília de Leonor Beleza. Já lá vamos, calma.
Diz então o sociólogo José Manuel Mendes que nós desconfiamos, ou temos pouca confiança nas instituições ligadas ao Governo. Excepção feita àquelas ligadas à protecção e socorro. Subscrevo mais ou menos. Basta pensar nas inundações que acontecem todos os anos assim que começa a chover, ou nos incêndios que arrasam o país, ou no quizz a que é preciso responder sempre que se chama uma ambulância para nos apercebermos que a nossa confiança nestas instituições é um bocado como dar dinheiro a um arrumador para que não nos risquem o carro.
No entanto, apesar destas falhas, depositamos mais confiança nas instituições ligadas à protecção e ao socorro do que nas outras. Porquê? O Instituto Português do Livro e da Biblioteca, o organismo que tutela as bibliotecas públicas, tem feito um bom trabalho. Talvez não tenha sido perfeito para todos, mas se nos lembrarmos como eram as bibliotecas há vinte, ou mesmo dez anos, e como são agora, a diferença é... colossal.
O que é que nos faz confiar nesta gente? Diz José Manuel Mendes que em Portugal "não houve nenhum episódio que desconstruísse a confiança das pessoas" como aconteceu noutros países da Europa, com o sangue contaminado.
A resposta de José Manuel Mendes é simples e elucidativa. O complemento que se segue à citação é que não sei se pertence ao próprio ou se foi alguém que não estava cá nos anos 80 que acrescentou.
Caro José Manuel Mendes, ou outra pessoa que diz basearmos a nossa confiança nas instituições públicas de protecção e socorro no facto de, em Portugal, não ter havido nenhum caso de sangue contaminado, só vos digo isto: vão ao Google e pesquisem por “hemofílicos + Leonor Beleza”. Não se resolveu, apenas prescreveu. Como é tradição. E nem sempre as tradições são de confiança.

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