10/01/12

TERMINUS 283: "VOLTO JÁ"

Há alguns milhares de anos, biliões para as pessoas sensatas, Deus criou o Universo e a Terra e todos os seres vivos em menos de uma semana. Hoje em dia, os seus fiéis andam às voltas por não haver dinheiro para manter as portas abertas. O fecho das igrejas durante a semana é o tipo de notícia que leva a população a um tipo de insurreição esperada, embora lamentável em pleno século XXI. Não me surpreende, apesar de tudo, que este Estado dito laico aceite obedecer à voz do povo que pede ajuda para esta instituição.
Ignorando que esta instituição supostamente representa uma entidade que criou tudo e mais alguma, uma entidade omnisciente, omnipresente e omnipotente, consideremos apenas a parte terrena da matéria. A Igreja Católica é rica. Podre de rica. E não é em sonhos e coisas bonitas, é em ouro e outros materiais preciosos. Os portugueses que em casa passam fome, na rua pedem dinheiro, não para comprarem comida, mas para terem as igrejas abertas para irem lá rezar por dias melhores. O respeito pela fé alheia não me impede de atestar a idiotice de certas mentalidades.
O patrão das igrejas, o senhor Papa, vive num palácio, tem uma cidade particular, desloca-se num carro construído apenas para ele, veste roupas de seda debruadas a ouro, sapatos italianos feitos em exclusivo para sua santidade e um ceptro cravado de jóias. Este tipo tem o desplante de pedir aos seus fiéis que não abracem as riquezas materiais e o Estado é que tem dar dinheiro para ele manter as portas abertas?
Quando um negócio não vai bem, há que fechar lojas ou, então, procurar novas estratégias, novos públicos. Abrir as portas somente quando há missas para realizar não é uma situação que justifique indignação. Católicos, tentem isto ver como um “volto já” prolongado. Um Centro de Saúde ou um hospital encerrado justificaria uma postura mais interventiva da população. Saírem para a rua pelo seu direito a cuidados de saúde, seria um gesto de inteligência cívica. Não é preciso perder-se muito tempo com isto. Para se ser operado, é preciso um hospital; para rezar, pode-se rezar em casa.
A crise afecta a todos, a alguns porque não têm como evitar, a outros porque deixam. Como ateu desempregado, não quero que o Estado use o meu dinheiro para ajudar os representantes da salvação eterna, quero que me ajude aqui e agora. Fazia-me mais jeito.

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