06/02/12

TERMINUS 289: SÁ CARNEIRO

Parece que é mesmo desta que a investigação ao Caso Camarate vai mesmo até ao fim. Desta vez, não vão haver enrolanços e silêncios mudos. A verdade dos factos vai ser apurada, doa a quem doer. Cabeças vão rolar. O que muitos julgavam esquecido vai ser revelado e a sociedade portuguesa vai saber finalmente o que aconteceu a 4 de Dezembro de 1980.
Entretanto, no país real...
Já me cansa ouvir falar nisto. Será que os nossos políticos não conseguem arranjar outra cortina de fumo mais interessante que esta? Todos nós já percebemos que isto é um cortina de fumo, mas é uma cortina tão ténue que mais valia não lá estar. Fingirem que, passados mais de trinta anos, ainda há algo para apurar é idiota. E mais idiotas são se acreditarem mesmo que vão apurar o que seja.
Não é que não me interesse saber quem matou Sá Carneiro. Claro que gostava de saber. Só que o meu interesse pela verdade do atentado de Camarate não tem nada a ver com simpatias políticas. Gostava de saber quem matou o Sá Carneiro, assim como gostava de saber quem matou o JR no Dallas. O mistério é mais ou menos o mesmo, mas na série eles levaram a coisa mais a sério. Sabiam que o mistério só podia ser mantido durante algum tempo, depois disso perdia o interesse.
Saíndo da ficção para a realidade, podemos comparar, mal comparado, o assassinato de Sá Carneiro com o assassinato de Kennedy. Ainda há quem acredite que não foi Lee Harvey Oswald quem matou Kennedy - e ainda bem para a ficção -, mas para a maioria da população o assunto está arrumado. Oswald matou Kennedy e Jack Ruby matou Oswald. Arrumado o assunto, agora fazem filmes em que abordam outras possibilidades; incluíndo outras mais reais do que aquela oficialmente reconhecida.
Em Portugal, continuamos a tentar vestir uma situação com diferentes possibilidades quando o que deveríamos fazer era arranjar um toinas qualquer e dizer que foi ele. Nem precisa de ser alguém que esteja vivo. Vou fazer aqui uma sugestão para os actuais responsáveis da investigação sobre o Caso Camarate.
Um dos investigadores vai à terra natal de Sá Carneiro e resolve visitar a escola secundária frequentada por Sá Carneiro. Durante uma visita à secretária, aproveita quando a única funcionária que ainda lá está tem de ir fazer serviço de limpeza para dar uma espreitadela aos arquivos. Ao verificar os arquivos do ano em que Sá Carneiro concluiu o ensino secundário, descobre que este teve uma quezília com um colega de turma sobre quem jogava melhor à bola.
O investigador toma nota do nome desse colega e segue essa pista. Descobre que o colega também queria ter entrado para o mesmo curso de Direito que Sá Carneiro, mas não conseguiu porque Sá Carneiro ocupou a última vaga que havia. Esta rivalidade continuou por muitos anos, tendo tido apenas um intervalo quando o tal colega foi chamado para a guerra.
Regressado da Guiné, tudo o que colega queria era esquecer o passado. Nisto dá-se o 25 de Abril e o colega fica contente. Anos depois, Sá Carneiro torna-se Primeiro-Ministro de Portugal e o colega passa-se dos carretos. Constrói uma bomba e consegue colocá-la no Cessna que Sá Carneiro vai utilizar.
Meses depois da explosão, decide fazer uma visita à sua terra natal e descobre que o Sá Carneiro que matou não era o seu colega de escola, mas um outro Sá Carneiro que ele não conhecia de lado nenhum. Furioso por este Sá Carneiro tê-lo feito matar o Primeiro-Ministro puxa duma pistola e dispara. Sá Carneiro (o rival, não o político) cai da ravina abaixo, mas não sem antes agarrar o seu assassino pelo casaco e levá-lo consigo para o fundo da Boca do Inferno.
E assim é encontrado o assassino de Sá Carneiro. Agora pode-se encerrar o caso e começar-se a fazer filmes sobre isso. Entretanto, se precisarem de ideias para novas vítimas de atentado, podem contactar-me que eu tenho uma listinha.

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